Advogado rejeita prova contra André Luiz
04/05/2005 - 17:39
O advogado do deputado André Luiz (sem partido-RJ), Michel Salim Oliveira, defendeu a tese de que a fita da conversa entre o empresário Carlinhos Cachoeira e o deputado não pode ser aceita como prova porque foi feita sem a autorização da outra parte. Essa alegação preliminar não foi acatada pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que seguiu decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), as quais consideram válida a gravação feita pela vítima.
Segundo o advogado, a sociedade acostumou-se com o fato de o Brasil estar se tornando o "país da arapongagem" e argumentou que nem mesmo na época da ditadura militar havia "tanta invasão da privacidade". Michel Salim afirmou ainda que "a prova aqui não é irrefutável e há muitas dúvidas. Não se cassa o mandato popular de um deputado dessa maneira".
O advogado pediu aos deputados, em plenário, que não façam juízo de valor em relação ao caso que extrapola os fatos apresentados no processo, e ressaltou que o julgamento não é só político, e deve ser usado "um peso e uma medida" para esse tipo de decisão.
Flagrante Reportagem - Eduardo Piovesan
Michel Salim Oliveira questionou por que, de posse da gravação, não se chegou ao estado de flagrância da tentativa de extorsão e lembrou que Carlinhos Cachoeira conseguiu uma boa "cortina de fumaça" contra as acusações feitas a ele em relação ao caso Waldomiro Diniz, "posando" como homem probo.
O advogado lembrou ainda que as provas testemunhais apresentadas a favor do deputado, que indicavam não estar presente em sua casa no horário do telefonema, não foram consideradas pelo Conselho de Ética.
Edição - Regina Céli Assumpção
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