CPI da Biopirataria encerra debate por causa do Plenário
04/05/2005 - 17:20
A audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria foi encerrada há pouco em razão do início da votação, no plenário, da perda de mandato do deputado André Luiz (sem partido-RJ). O presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), disse que as outras duas testemunhas que ainda faltam depor - o diretor do Jardim Zoológico de Goiânia (GO), Fernando Silveira, e o ex-diretor Luiz Elias Bouhid de Camargo - serão ouvidas em outra ocasião, ainda sem data definida.
Segundo ele, a ausência do depoimento dessas duas pessoas não atrapalha o andamento dos trabalhos. O presidente considerou inadequada a sugestão feita pelo deputado Dr. Rosinha (PT-PR) de ouvir as testemunhas em audiência externa em Goiânia. "Talvez não seja a melhor solução", afirmou Mendes Thame.
A proposta para realização de uma audiência pública externa em Goiânia havia sido feita pelo deputado Henrique Afonso (PT-AC) e também foi defendida por Hamilton Casara (PL-RO). O requerimento para essa audiência, no entanto, ainda não foi entregue à presidência da CPI. Na opinião de Casara, a ida da Comissão à capital goiana deve ser realizada "com a máxima urgência".
Denúncias
Sobre os fatos declarados hoje pela diretora de Educação Ambiental do Jardim Zoológico de Goiânia, Maria de Lourdes França Rabelo, e pelo diretor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Goiânia, Ivan Magalhães de Araújo Jorge, o presidente da CPI afirmou que "as denúncias são gravíssimas". "Não podemos pré-julgar ninguém, mas essas foram as denúncias mais graves que obtivemos na CPI", disse, referindo-se às notícias de tráfico de animais no zoológico de Goiânia. Segundo ele, essa foi a primeira vez que duas pessoas sem parentesco falaram as mesmas coisas sobre uma situação irregular.
Depoimento
Em depoimento antes de a reunião ser interrompida, o diretor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Goiânia, Ivan Magalhães de Araújo Jorge, disse que a Secretaria foi omissa sobre o caso. Apesar de ser um candidato à demissão, ele disse estar tomando essa atitude porque não quer se omitir em relação à denúncia.
Questionado pelos deputados sobre a falta de licitação para o repasse dos animais a criadores particulares, Jorge afirmou que, "no Brasil, é o troço mais fácil do mundo burlar uma licitação". Ele também foi questionado sobre as razões de essas denúncias só virem a público agora. Na opinião do diretor, tanto o Ministério Público como a Polícia Federal não têm experiência na área de meio ambiente.
A deputada Neyde Aparecida (PT-GO) questionou se o depoente teria provas concretas ou indícios que comprovassem as irregularidades denunciadas. Jorge disse só ter conhecimento dos fatos pelo jornais.
A próxima reunião da CPI será na quarta-feira (11), às 14h30. Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Noéli Nobre
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