Entenda como funciona a energia nuclear
03/03/2005 - 12:36
Em uma usina nuclear, o reator é apenas uma fonte de calor. A energia atômica não produz diretamente a energia que servirá para iluminar ruas, casas ou ligar aparelhos eletrodomésticos. Ela é utilizada para transformar a água presente na caldeira do reator em vapor, que aciona turbinas ligadas a geradores, responsáveis por gerar energia elétrica.
O calor necessário para a vaporização é produzido pela fissão de átomos de urânio. A fissão nuclear é a quebra de um núcleo pesado e instável de um átomo, dando origem a dois núcleos atômicos médios e liberando uma grande quantidade de energia. Segundo dados da Eletronuclear - órgão responsável pela construção e operação de usinas nucleares -, a quebra de 1 quilo de urânio libera a mesma quantidade de energia calorífica que a combustão de 12 mil barris de petróleo.
Urânio enriquecido
O enriquecimento do urânio é o processo pelo qual se aumenta a concentração de um dos isótopos do elemento urânio, o U-235, mais adequado para produzir energia.
O Brasil desenvolveu, recentemente, tecnologia para realizar o método de ultracentrifugação, uma das formas de enriquecer urânio. Nesse processo, centrífugas que giram à velocidade de 150 mil rotações por minuto separam as moléculas mais pesadas das moléculas mais leves, aumentando a concentração do U-235. O diferencial da tecnologia brasileira é girar as centrífugas por meio de um campo magnético, sem contato mecânico e, portanto, sem gasto dos equipamentos.
Polêmica internacional Da Redação/WS
O Brasil é, atualmente, o sexto maior produtor de urânio do mundo. Após uma grande polêmica envolvendo as instalações nucleares da fábrica de Resende (RJ), o urânio passou a ser enriquecido em território nacional e será utilizado como combustível para as usinas de Angra I e II. O governo não permitiu que determinadas áreas da fábrica fossem fiscalizadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), órgão que busca promover o uso pacífico da energia nuclear e evitar a proliferação de armamentos nucleares. O argumento utilizado pelo Governo foi o de estar protegendo a tecnologia brasileira de enriquecimento de urânio e os interesses nacionais.
Essa recusa teve grande repercussão na imprensa internacional, que cogitou a possibilidade de o Brasil estar produzindo armas nucleares. O governo respondeu que a fábrica é usada apenas para fins pacíficos e que a proliferação de armas nucleares é proibida pela Constituição brasileira. A polêmica teve fim com a aprovação do funcionamento da fábrica pela Aiea.
Antes de desenvolver a tecnologia de enriquecimento de urânio, era preciso enviar a substância extraída para o Canadá, onde era transformada em gás. Seguia, então, para a Europa, onde era enriquecida. Depois voltava para o Brasil e servia de combustível para as usinas de Angra 1 e 2.
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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