Brasil já atua para cumprir metas do milênio da ONU

28/10/2004 - 17:04  

A ministra da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, abriu agora à tarde o ato solene em comemoração ao aniversário da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmando que o Governo brasileiro já atua para atingir as metas do milênio propostas pela entidade.
Promovido pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, em parceria com a Comissão de Educação e Cultura da Câmara, com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e com o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o evento está em andamento no plenário 10.
As metas do milênio são:
- erradicar a pobreza e a fome;
- universalizar o ensino básico;
- promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres;
- reduzir a mortalidade infantil;
- melhorar a saúde materna;
- combater a Aids, a malária e outras doenças;
- garantir a sustentabilidade ambiental; e
- estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.

Brasil inova
A representante do Unicef no Brasil, Marie Pierre Poirier, elogiou o caráter inovador dos projetos sociais para a infância e a adolescência que vêm sendo desenvolvidos pelo governo brasileiro. "Toda criança, seja negra, branca ou indígena, pobre ou rica, deficiente ou sadia, tem os mesmos direitos", ressaltou.
Poirier citou pesquisa da ONU que mostra que cada quatro anos de estudos da mãe correspondem a 20% a menos na pobreza da criança ou adolescente. "A escolaridade da mãe é um fator importante", disse ela, acrescentando que as crianças negras têm duas vezes mais chances de ser pobres, analfabetas e morar em locais sem saneamento básico.
Segundo a ministra Matilde Ribeiro, as formulações e os estudos da ONU merecem total atenção porque poderão auxiliar muito a coordenação das políticas voltadas para a promoção da igualdade racial.

Sexto mais desigual
Já o coordenador residente do Pnud, Carlos Lopes, preferiu elogiar a Unicef pelo pioneirismo nos programas de defesa dos direitos da criança. Segundo Lopes, as oito metas do milênio precisam ser adaptadas. "É preciso abrasileirar esses objetivos, adaptá-los à realidade deste País, que é o sexto mais desigual do mundo", afirmou Lopes.
Ele ressaltou que os índices de desigualdade no Brasil aumentaram nos últimos dez anos, "o que é lamentável". Segundo Lopes, o Brasil precisa aceitar que as vítimas da desigualdade devem ser os próprios sujeitos da necessária transformação social.
Ao concluir, o coordenador do Pnud ressaltou que a ONU e o Brasil têm uma relação muito próxima e muito antiga. "O Brasil é um amigo do peito da ONU", afirmou.

Reportagem - Danielle Popov
Edição - Luiz Claudio Pinheiro

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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