Coordenador diz desconhecer tráfico de órgãos em MG
25/08/2004 - 18:00
O ex-coordenador da Central de Transplantes de Minas Gerais (entre 1998 e 2003), João Carlos Oliveira Araújo, disse há pouco à CPI do Tráfico de Órgãos Humanos que nunca teve conhecimento de qualquer caso de tráfico de órgãos no estado.
Ele reconheceu, no entanto, que, em 1999, quando ocorreu o caso do menino Paulinho Veronese Pavesi, o setor vivia uma crise, em razão da transição de sistemas, provocada pela implantação da Lei dos Transplantes de 1997.
Vítima de um acidente, Paulinho Pavesi teve suas córneas retiradas em Poços de Caldas (MG) e enviadas para Campinas (SP). O pai do menino, Paulo Pavesi, acusa a equipe médica que atendeu o menino de irregularidade na destinação das córneas retiradas.
Falha de comunicação
Segundo Araújo, houve uma falha de comunicação entre a Central de Transplante de Poços de Caldas e a matriz em Belo Horizonte e, por isso, as córneas de Paulinho acabaram sendo enviadas para Campinas.
Araújo explicou que a remessa das córneas a Campinas foi irregular e é injustificável. As córneas tinham que ficar no estado de Minas e, se a remessa a Belo Horizonte não pudesse ser feita naquela noite, poderia ter sido feita no dia seguinte.
Advertência e auditoria
Araújo explicou ainda que, quando soube do caso, o Ministério Público já o estava investigando. Por isso, Araújo limitou-se a advertir a regional de Poços de Caldas e a pedir uma auditoria da secretaria estadual de Saúde. Na auditoria, segundo ele, ficou constatada a precariedade da estrutura das regionais de transplante: falta de pessoal, de equipamento e de viaturas. "As demais providências já estavam sendo tomadas pelo Ministério Público", explicou.
Reunião interrompida
O presidente da comissão, deputado Neucimar Fraga (PL-ES), interrompeu a reunião para os deputados poderem ir ao Plenário participar de uma votação. A reunião foi retomada há pouco. Está depondo neste momento, o médico Álvaro Ianhez, que era o responsável pela regional de transplantes de Poços de Caldas na época do caso de Paulinho. Paulo Pavesi também está presente e deverá falar depois do médico.
Reportagem - Daniele Popov
Edição - Luiz Claudio Pinheiro
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