Oposição poderá obstruir semana de esforço concentrado
03/08/2004 - 13:33
As denúncias contra os presidentes do Banco Central e Banco do Brasil, respectivamente Henrique Meirelles e Cássio Casseb, poderão comprometer o esforço concentrado para votação de matérias em Plenário, previsto para a próxima semana.
O líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA), não descarta a possibilidade de o partido e o PSDB obstruírem as sessões. Aleluia confirmou que o PFL entrou com ações no Ministério Público contra Cássio Casseb. O partido argumenta que o presidente do Banco do Brasil cometeu cinco crimes previstos no Código Penal, desde uso do cargo para tirar proveito a terceiros até abuso de poder. O Banco do Brasil gastou R$ 70 mil com a compra de ingressos de um show, cuja arrecadação seria utilizada para a nova sede do PT.
Demissão
O líder do PFL acredita que, diante desse fato e de denúncias de sonegação fiscal e evasão de divisas, publicadas pela revista Isto É, Casseb deve ser demitido. E que, para pressionar o Governo a trocar a diretoria do Banco do Brasil e a convencer o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a explicar as denúncias de crimes contra a ordem tributária, o PFL e o PSDB poderão se unir em obstrução. "O presidente Lula tem que trocar nomes que estão manchando as instituições. Ainda queremos explicações de Henrique Meirelles, mas Cássio Casseb não tem o que dizer. Ele cometeu crime usando o Banco do Brasil. Ele está influindo na imagem do Banco", disse Aleluia.
Obstrução x demissão
O líder do Governo, deputado Professor Luizinho (PT-SP), considera a obstrução legítima desde que seja relacionada a votações da Casa. O parlamentar, no entanto, diz que é absurda a obstrução para pressionar a demissão de Casseb.
Professor Luizinho disse ainda que é contra o presidente do Banco do Brasil vir à Câmara prestar esclarecimentos já feitos. "Em qualquer Governo, qualquer indicação ou destituição cabe ao presidente da República. Fazer obstrução para ouvir explicações, tudo bem. O outro caso é inusitado", avalia.
Mobilização dos aliados
O presidente da Câmara, João Paulo Cunha, disse que, em caso de obstrução, caberá à base do Governo garantir o quorum para votar as matérias. "O instituto da obstrução é regimental e democrático. Se o PSDB e o PFL acharem que é uma boa política para o País obstruírem, é um direito deles".
Mesmo com as dificuldades impostas pela Oposição, João Paulo está confiante de que o esforço concentrado será produtivo.
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Reportagem - Hérica Christian
Edição - Natalia Doederlein
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