Assassinatos em Unaí foram encomendados por empresário

27/07/2004 - 16:49  

O delegado da Polícia Federal Antônio Celso, responsável pelas investigações do assassinato dos fiscais do Trabalho em Unaí, revelou hoje, em entrevista coletiva, que o crime foi encomendado pelo empresário Hugo Pimenta.
Francisco Pinheiro, de 68 anos, Erinaldo Silva, de 41, Rogério Rios, de 24, e William Miranda, de 22, teriam recebido R$ 50 mil do empresário, que teve como intermediário José Alberto de Castro, seu empregado.
Todos estão presos na Superintendência da PF, em Brasília. Eles confessaram o crime após serem detidos durante operação destinada a prender uma quadrilha de roubo de cargas que atuava no município goiano de Formosa. O empresário e seu funcionário se recusaram a falar, alegando que só deporão em juízo.
O delegado não quis confirmar a participação do empresário Norberto Mânica na execução dos fiscais e do motorista. Mânica, conhecido produtor de feijão da região, teria ligações com Hugo Pimenta, de acordo com Francisco Pinheiro, um dos acusados. Segundo Pinheiro, Hugo teria uma dívida de R$ 180 milhões com Mânica. O produtor deverá ser ouvido nos próximos dias pela Polícia Federal.

Crimes a mais
De acordo com depoimento dos quatro homens, presos no último domingo, apenas o fiscal Nelson José da Silva deveria ter sido assassinado porque era um profissional rigoroso e aplicava muitas multas. No entanto, no dia do crime Nelson estava acompanhado por mais dois fiscais e um motorista. Os dois assassinos pararam o carro para pedir informações. Em seguida, anunciaram um assalto e dispararam contra os quatro.
Os funcionários do Ministério foram mortos no dia 28 de janeiro deste ano, em uma estrada próxima a Unaí (MG), enquanto fiscalizavam denúncias de trabalho escravo em plantações de feijão na região noroeste de Minas Gerais. O objetivo era checar as condições de trabalho, remuneração e acomodação das pessoas arregimentadas para a colheita.

Comissão externa
Assim que soube da chacina, a Câmara dos Deputados instalou uma comissão externa para acompanhar as investigações da PF. O presidente da comissão, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), acredita que o desfecho vai motivar a aprovação da PEC do Trabalho Escravo (PEC 438/01), que expropria as propriedades urbanas e rurais onde for constatada a existência de trabalho escravo. "A elucidação do caso pela Polícia Federal faz com que seja obrigatória a inclusão na pauta de votações, ainda em agosto, da PEC do Trabalho Escravo”.
Greenhalgh informou ainda que o relatório da comissão externa deverá ser apresentado ao presidente da Câmara, João Paulo Cunha, assim que a Polícia Federal concluir o caso.

Reportagem - Hérica Christian
Edição - Patricia Roedel

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