Pitta é preso por CPMI durante depoimento

04/05/2004 - 18:14  

O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta foi preso na manhã de hoje quando prestava depoimento à CPMI do Banestado. Orientado por assessores jurídicos da comissão, o presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), decidiu dar voz de prisão ao ex-prefeito de São Paulo por desacato à autoridade. Celso Pitta foi encaminhado pela polícia do Senado à Polícia Federal, mas foi liberado no fim da tarde, após assinar um termo circunstanciado na PF no qual se comprometeu a comparecer em juízo quando convocado.

Desacato ao senador
Na audiência, o ex-prefeito de São Paulo recusou-se a responder quase todas as perguntas dos parlamentares, principalmente as relacionadas a pessoas, empresas ou operações bancárias, valendo-se do direito constitucional de ficar calado para evitar a auto-incriminação. A cada pergunta, ele respondia com a expressão "mantenho o silêncio". Diante das evasivas do ex-prefeito, o senador Antero fez uma colocação: "Nem se eu perguntasse ao senhor se o senhor é corrupto, vossa senhoria não responderia?" Pitta respondeu ao presidente da CPMI com outra pergunta: "Se eu indagasse a Vossa Senhoria se o senhor continua batendo em sua mulher, o senhor responderia?".
A resposta do ex-prefeito de São Paulo revoltou o senador. "Eu exijo respeito. Não bato em minha mulher nem sou assaltante de cofres públicos", disse. Pitta rebateu: "Eu também não, porque estou na condição de depoente e não para sofrer um tipo de acusação que o senhor está colocando contra mim".

Liminares do STF
O depoimento foi em sessão aberta e com a presença da Imprensa. O Supremo Tribunal Federal atendeu ao pedido da CPI para reconsiderar a liminar que obrigava a reunião a portas fechadas.
Como na semana passada, Pitta recusou-se a assinar um termo comprometendo-se a dizer somente a verdade, amparado pela Justiça. Ele falou por apenas sete minutos e negou que tenha buscado no Supremo Tribunal um alvará para mentir à CPI. O ex-prefeito disse respeitar o trabalho da comissão, mas ressaltou que sua defesa está sendo apresentada ao Ministério Público e à Justiça Federal, que investigam o susposto superfaturamento de obras e desvio de dinheiro público na época em que era prefeito de São Paulo.
Pitta é acusado de desviar recursos públicos e depositá-los em bancos estrangeiros. Documentos apresentados por sua ex-mulher, Nicéa Camargo, apontam que ele movimentou US$ 1,5 milhão em uma conta em Nova York (EUA). Outra conta foi aberta em seu nome na Suíça, e os recursos teriam sido transferidos para as Ilhas Jersey, paraíso fiscal situado no Canal da Mancha (Reino Unido), e, em seguida, para o principado de Lichenstein.

Da Reportagem
Edição – Patricia Roedel

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