Ministro e parlamentares avaliam aumento do mínimo
30/04/2004 - 17:57
O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, reconheceu nesta sexta-feira, durante debate promovido pela TV Câmara, que o reajuste do salário mínimo de R$240 para R$260 foi modesto. Segundo ele, o aumento de apenas R$20 foi calculado de acordo com as limitações do orçamento e que o mais importante, agora, é manter a inflação baixa para que o reajuste não perca a eficácia.
Também participaram do debate o líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (BA), o presidente da Comissão do Trabalho, deputado Tarcísio Zimmermam (PT-RS), e o economista Carlos Tadeu de Freitas.
Ricardo Berzoini afirmou que o atual valor do salário mínimo, no segundo ano do Governo Lula, é o melhor valor dos últimos tempos, se comparado aos oito anos do Governo Fernando Henrique. Berzoini lembrou que a inflação dos últimos 12 meses foi baixa e a tendência é que se mantenha assim. "De nada adianta ter um aumento de 100% no salário mínimo, e a inflação voltar a disparar", disse. Ele não garantiu, no entanto, que o Governo conseguirá cumprir a meta de dobrar o valor do salário mínimo. "O Governo tem como objetivo alcançar o máximo possível dessa meta. Sabemos das limitações da economia nacional, principalmente no financiamento da Previdência Social, mas tratamos essa questão com a máxima responsabilidade".
Salário-família
Ricardo Berzoini ainda destacou, durante o debate, que o salário-família teve um reajuste real de 41%, permitindo recuperação das perdas dos últimos anos. O líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA), contestou, dizendo que o Planalto quer transformar o benefício numa compensação enganosa para o trabalhador.
Queda-de-braço
O líder do PFL, José Carlos Aleluia, criticou o novo valor do salário mínimo e afirmou que vai trabalhar para que o Congresso aprove um reajuste maior. Segundo ele, isso é possível com a redução dos juros. "Reduzindo os juros, o Governo vai ter mais disponibilidade. O Congresso não aceita R$260. Vamos botar R$270, alguma coisa que seja".
Ao contrário do que disse Berzoini, ao declarar que o valor do salário não saiu de uma queda-de-braço interna no Governo, Aleluia disse que a equipe econômica foi quem ganhou na briga pelo reajuste. "Perdeu o presidente Lula e os petistas que defendiam um aumento maior", atacou.
Reajustes regionais
O presidente da Comissão do Trabalho, deputado Tarcísio Zimmermam (PT-RS), admitiu ter ficado desalentado com o reajuste oferecido pelo Governo, mas advertiu que a oposição não pode transformar a discussão sobre o assunto num debate demagógico.
O deputado Tarcísio Zimerman (PT-RS) citou o exemplo do Rio Grande do Sul, que ainda no governo petista criou o salário mínimo regional. "Hoje temos no Rio Grande um piso de R$ 312, chegando a R$ 350, que é o valor que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda para o Brasil". A solução encontrada no Rio Grande do Sul, de um piso regional maior, é, na opinião do deputado, uma boa solução que pode ser adotada para o problema do baixo valor do salário mínimo nacional.
Índice correto
O economista da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Tadeu de Freitas, defendeu o reajuste definido pelo Governo, alegando que o índice concedido é o correto, diante das condições atuais da economia brasileira. Segundo ele, para que o salário mínimo venha a ter reajustes maiores, é preciso, primeiro, reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).
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Reportagem - Fábia Belém e Márcio Salema
Edição - Ana Felícia
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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