Engenheiro afirma que segurança contra incêndio nunca foi prioridade no País

Da Agência Câmara - 04/11/2015 - 16:29

O coordenador do projeto Brasil Sem Chamas, engenheiro José Carlos Tomina, afirmou, há pouco, que ocorrem no Brasil 300 mil incêndios por ano, e 4.800 cidades não possuem bombeiros: “Segurança contra incêndio nunca foi prioridade no Brasil. Por isso, é importante o papel do governo federal. Uma das propostas é aumentar o número de bombeiros”.

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Para Tomina, apagar incêndio é importante, mas a prevenção é muito mais. Ele explica que incêndios ocorrem sempre por causas humanas, não se trata de fatalidade. “A tragédia de Santa Maria foi violenta porque foram várias falhas humanas, uma sequencia”.

O engenheiro participa de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, que lembra os mil dias da tragédia da Boate Kiss, ocorrida em Santa Maria, e que deixou 242 mortos.

A representante do Ministério da Saúde na audiência, Júlia de Albuquerque Pacheco, elencou algumas das ações realizadas pela União, pelo estado do Rio Grande do Sul e pelo município de Santa Maria desde o dia da tragédia. Entre essas ações, estão atendimentos em rede hospitalar, acompanhamento ambulatorial, atendimento psicossocial, além de oficinas sobre as lições aprendidas com a tragédia para prevenção e melhoria das ações do Poder Público.

Oxigenoterapia

A diretora médica do Instituto de Oxigenoterapia Hiperbárica do Brasil, Luciana Caccavo Miguel, defendeu que o método da oxigenoterapia hiberbárica deve ser inserido na tabela do SUS. Segundo ela, os sobreviventes poderiam ter tido um tratamento melhor se os órgãos de saúde tivessem feito convênios com as sete clínicas do estado que são responsáveis pelo tratamento. Luciana Caccavo informou que o método é um tratamento eficaz, simples, que diminui o tempo de antibiótico, recupera os tecidos atingidos, diminui o tempo de cicatrização e de intervenção e os custos de tratamento. “O processo devolve ao indivíduo sua capacidade laboral mais rápida”, afirmou a médica.

Lentidão do processo

O diretor jurídico da associação dos familiares das vítimas e sobreviventes da tragédia de Santa Maria, Paulo Carvalho, criticou a lentidão do processo que pede a punição dos culpados da tragédia. “Em mil dias não temos nenhum culpado, nem do setor público, nem do setor privado. Estamos fazendo as denúncias, explicando o absurdo que ocorreu, e os promotores do Ministério Publico estão processando três pais. Eles sentaram em cima do processo”, denunciou. “Que nossos filhos não tenham sido levados em vão! Eles não podem ter sido levados embora por pessoas gananciosas e omissas de suas funções”, afirmou.

O presidente da Comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), solicitou o debate discutir o que foi e o que não foi feito em relação ao desastre na Boate Kiss, para conhecer a realidade das famílias, das investigações e o que mudou na legislação para as casas noturnas.

Pimenta criticou a alteração do texto, no Senado, do projeto que torna mais rigorosa a fiscalização de casas noturnas. Ele defendeu que a Câmara mantenha o texto original.

A audiência está sendo realizada no plenário 9.

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