CNA critica silêncio do Governo sobre Parmalat

28/01/2004 - 16:52  

Em depoimento há pouco na Comissão Especial da Parmalat, o representante da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Rodrigo Sant`anna Alvim, alertou que os 20 mil produtores brasileiros prejudicados pela crise na empresa italiana estão preocupados com o silêncio do Governo diante da situação. Segundo ele, a crise atinge um setor que produzia três milhões de leite por dia para as seis fábricas mantidas pela Parmalat no Brasil.
Alvim alertou ainda para os problemas estruturais do setor de laticínios, que vem registrando queda de preços desde agosto. A situação teria se agravado com os problemas da Parmalat, cuja dívida acumulada no Brasil seria de R$ 14 bilhões.
Advertindo que a crise pode transformar o Brasil de exportador em importador de leite, o representante da CNA apresentou sugestões para o setor. Entre elas, a liberação de R$ 200 milhões que estariam retidos no Banco do Brasil para financiar a estocagem do produto; a compra pelo Governo, para o Programa Fome Zero, das duas mil toneladas de leite em pó que a Parmalat transferiu aos produtores como parte do pagamento de suas dívidas; e a criação de um comitê gestor para avaliar os créditos da Parmalat e proteger o ativo da empresa.

PROBLEMA ESTRUTURAL
Também falando à comissão especial, o presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Lopes de Freitas, disse que o setor leiteiro enfrenta problemas emergenciais, que surgiram com a crise da Parmalat, mas também dificuldades estruturais antigas que vêm provocando sucessivas quedas do preço do produto.
Freitas defendeu maior participação das cooperativas no setor de laticínios. Segundo ele, essa presença, que já chegou a 60%, atualmente é de apenas 40%. Ele garantiu que as cooperativas têm condições de assumir os parques industriais da Parmalat.
O dirigente da OCB também pediu o desbloqueio de recursos da Parmalat que se encontram retidos no Banco do Brasil. O dinheiro se destinaria ao pagamento dos produtores de leite.
O debate prossegue no plenário 7.

Reportagem - Mauren Rojahn
Edição - Rejane Oliveira

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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