CPMI do Banestado faz diligência em Foz do Iguaçu
Uma comitiva da CPI Mista do Banestado está hoje em Foz do Iguaçu (PR) para interrogar 16 pessoas suspeitas de participar do esquema de evasão irregular de divisas para o exterior. A subcomissão é integrada pelo presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT); o relator, deputado José Mentor (PT-SP) e os deputados paranaenses Dra. Clair Martins (PT), Paulo Bernardo (PT) e Eduardo Sciarra (PFL).
Antero Paes de Barros informou que a CPMI fará uma reunião com a Polícia Federal e com fiscais da Receita Federal. "O objetivo é saber como está sendo
realizada a fiscalização dos carros-fortes que circulam na fronteira entre o
Brasil e o Paraguai e se o sistema hoje em vigor facilita a lavagem de
dinheiro", explicou.
DEPOENTES
Em Foz do Iguaçu, serão ouvidos gerentes e funcionários do Banestado e do Banco do Brasil, pessoas apontadas como "laranjas" no esquema de evasão de divisas e funcionários de casas de câmbio. As audiências estão sendo realizadas na Câmara Municipal.
Amanhã, a CPI estará em Curitiba (PR) onde vai interrogar outras 18 pessoas. Serão ouvidos o doleiro Alberto Youssef, atualmente preso, os ex-gerentes do Banestado em Nova Iorque Ércio de Paula e Gilson Girardi, além de Afonso Celso Braga, que é citado por várias testemunhas como a pessoa ligada ao Banco Integración e ao Banco Araucária, ambos suspeitos de envio irregular de dinheiro para o exterior.
Os depoentes serão ouvidos na Assembléia Legislativa.
HISTÓRICO
Essa não é a primeira visita da comissão ao Paraná. Em julho, a CPMI esteve em Curitiba na busca de informações junto aos procuradores que desde 1997 investigam o caso. Integrantes da força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Federal, montada para levantar o esquema de lavagem de dinheiro, foram depois convidados a prestar informações à comissão. Em agosto, deputados e senadores viajaram aos Estados Unidos para levantar informações sobre as contas bancárias utilizadas para a remessa de recursos. Atualmente, dois procuradores estão nos Estados Unidos fazendo novos levantamentos.
EMPRÉSTIMOS
O ex-diretor de câmbio e operações internacionais do Banestado Gabriel Nunes Pires Neto foi preso preventivamente sob acusação de corrupção e crime contra o sistema financeiro nacional. Ele é acusado pelo Ministério Público de autorizar empréstimos a seis empresários em agosto de 1998, por meio da agência do Banestado das Ilhas Cayman, já sabendo que eles nunca seriam pagos.
Os 4,5 milhões de dólares (aproximadamente R$ 13,5 milhões) em empréstimos foram autorizados depois que o governo do Paraná e a União fecharam acordo para sanear o Banestado e a seguir privatizá-lo. No acordo firmado em 30 de julho de 1998, o Banestado se comprometia a liquidar a agência Grand Cayman, no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, em 5 de janeiro de 1999.
Em agosto de 1998, o então diretor, Gabriel Neto, liberou 1 milhão de dólares (cerca de R$ 3 milhões) para a empresa Tucumann Engenharia e Empreendimentos, 1 milhão de dólares para a Redran Construtora de Obras, ambas de Curitiba, e de 1,5 milhão de dólares (aproximadamente R$ 4,5 milhões) para a Jabur
Toyopar Importação e Comércio de Veículos, de Londrina. Esses empréstimos
tinham data de vencimento posterior à liquidação da agência nas Ilhas Cayman
e nunca foram pagos.
Nas investigações, os procuradores da República Carlos Fernando dos Santos
Lima, Vladimir Barros Aras, Luciana da Costa Pinto e Suzete Bragagnolo
apontaram que o ex-diretor do Banestado - no período de 3 de novembro de
1997 a 19 de janeiro de 1999 - teria recebido um depósito da subconta Ibiza,
da Beacon Hill Service (administrada por Alberto Youssef), no valor de 500 mil dólares (cerca de R$ 1,5 milhão). O depósito teria sido feito na conta de Gabriel Neto, na agência do Citibank em Nova Iorque em 19 de outubro de 1998, como "pagamento" pelos empréstimos.
Da Redação/ND
Colaboração: CPMI do Banestado
Colaboração: CPMI do Banestado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
Agência Câmara
Tel. (61) 318.7423
Fax. (61) 318.2390
E-mail: agencia@camara.gov.br
A Agência utiliza material jornalístico produzido pela Rádio, Jornal e TV Câmara.