CPMI do Banestado faz diligência em Foz do Iguaçu
20/11/2003 - 13:06
Uma comitiva da CPI Mista do Banestado está hoje em Foz do Iguaçu (PR) para interrogar 16 pessoas suspeitas de participar do esquema de evasão irregular de divisas para o exterior. A subcomissão é integrada pelo presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT); o relator, deputado José Mentor (PT-SP) e os deputados paranaenses Dra. Clair Martins (PT), Paulo Bernardo (PT) e Eduardo Sciarra (PFL).
Antero Paes de Barros informou que a CPMI fará uma reunião com a Polícia Federal e com fiscais da Receita Federal. "O objetivo é saber como está sendo
realizada a fiscalização dos carros-fortes que circulam na fronteira entre o
Brasil e o Paraguai e se o sistema hoje em vigor facilita a lavagem de
dinheiro", explicou.
DEPOENTES
Em Foz do Iguaçu, serão ouvidos gerentes e funcionários do Banestado e do Banco do Brasil, pessoas apontadas como "laranjas" no esquema de evasão de divisas e funcionários de casas de câmbio. As audiências estão sendo realizadas na Câmara Municipal.
Amanhã, a CPI estará em Curitiba (PR) onde vai interrogar outras 18 pessoas. Serão ouvidos o doleiro Alberto Youssef, atualmente preso, os ex-gerentes do Banestado em Nova Iorque Ércio de Paula e Gilson Girardi, além de Afonso Celso Braga, que é citado por várias testemunhas como a pessoa ligada ao Banco Integración e ao Banco Araucária, ambos suspeitos de envio irregular de dinheiro para o exterior.
Os depoentes serão ouvidos na Assembléia Legislativa.
HISTÓRICO
Essa não é a primeira visita da comissão ao Paraná. Em julho, a CPMI esteve em Curitiba na busca de informações junto aos procuradores que desde 1997 investigam o caso. Integrantes da força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Federal, montada para levantar o esquema de lavagem de dinheiro, foram depois convidados a prestar informações à comissão. Em agosto, deputados e senadores viajaram aos Estados Unidos para levantar informações sobre as contas bancárias utilizadas para a remessa de recursos. Atualmente, dois procuradores estão nos Estados Unidos fazendo novos levantamentos.
EMPRÉSTIMOS
O ex-diretor de câmbio e operações internacionais do Banestado Gabriel Nunes Pires Neto foi preso preventivamente sob acusação de corrupção e crime contra o sistema financeiro nacional. Ele é acusado pelo Ministério Público de autorizar empréstimos a seis empresários em agosto de 1998, por meio da agência do Banestado das Ilhas Cayman, já sabendo que eles nunca seriam pagos.
Os 4,5 milhões de dólares (aproximadamente R$ 13,5 milhões) em empréstimos foram autorizados depois que o governo do Paraná e a União fecharam acordo para sanear o Banestado e a seguir privatizá-lo. No acordo firmado em 30 de julho de 1998, o Banestado se comprometia a liquidar a agência Grand Cayman, no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, em 5 de janeiro de 1999.
Em agosto de 1998, o então diretor, Gabriel Neto, liberou 1 milhão de dólares (cerca de R$ 3 milhões) para a empresa Tucumann Engenharia e Empreendimentos, 1 milhão de dólares para a Redran Construtora de Obras, ambas de Curitiba, e de 1,5 milhão de dólares (aproximadamente R$ 4,5 milhões) para a Jabur
Toyopar Importação e Comércio de Veículos, de Londrina. Esses empréstimos
tinham data de vencimento posterior à liquidação da agência nas Ilhas Cayman
e nunca foram pagos.
Nas investigações, os procuradores da República Carlos Fernando dos Santos
Lima, Vladimir Barros Aras, Luciana da Costa Pinto e Suzete Bragagnolo
apontaram que o ex-diretor do Banestado - no período de 3 de novembro de
1997 a 19 de janeiro de 1999 - teria recebido um depósito da subconta Ibiza,
da Beacon Hill Service (administrada por Alberto Youssef), no valor de 500 mil dólares (cerca de R$ 1,5 milhão). O depósito teria sido feito na conta de Gabriel Neto, na agência do Citibank em Nova Iorque em 19 de outubro de 1998, como "pagamento" pelos empréstimos.
Da Redação/ND
Colaboração: CPMI do Banestado
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