Segurança em Alcântara preocupa deputados
25/09/2003 - 12:59
A deputada Terezinha Fernandes (PT-MA) manifestou preocupação com as investigações sobre o acidente na Base de Alcântara. Ele participa da audiência da comissão externa que acompanha as investigações do acidente que está ouvindo hoje diretor do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), o major-brigadeiro Tiago da Silva Ribeiro, e o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos na área de Ciência e Tecnologia do Vale do Paraíba, Francisco Conde. A parlamentar questionou o major-brigadeiro sobre as razões que levaram a comissão de investigação a descartar as hipóteses do acionamento do motor ter sido provocado por calor ou atrito. Ela acredita que há interesses para que o programa aeroespacial brasileiro não dê certo.
Ela afirmou que jornais maranhenses noticiaram a existência de estrangeiros em São Luís uma semana antes do acidente. “Isso é verídico ou especulação da imprensa?” Terezinha Fernandes ainda manifestou preocupação com o adiamento do lançamento do foguete no início deste ano, a eficiência dos sistemas de segurança da torre de lançamento e a terceirização de funções técnicas no CTA. A deputada ainda lembrou que o programa aeroespacial brasileiro vem passando por problemas financeiros e solicitou informações sobre o processo de indenização das famílias desapropriadas quando da instalação da Base de Alcântara.
O deputado Washington Luís (PT-MA) criticou o baixo investimento no programa aeroespacial brasileiro, mesmo se comparado a países com o mesmo desenvolvimento tecnológico. “Enquanto, no ano passado, o país investiu US$ 15 milhões, a Índia investiu US$ 453 milhões”.
SEGURANÇA
Quanto aos procedimentos de segurança na torre mencionados pelo diretor do sindicato e questionados pela deputada Terezinha Fernandes, o major-brigadeiro explicou que a torre tem um sistema de escape por escadas para uma saída de menor proporção. Em uma situação dessas, segundo ele, não há, no mundo, torre que tenha sistema de segurança capaz de atender tal emergência.
Nenhum técnico, segundo o major-brigadeiro, conseguiu sequer chegar à escada. Houve um técnico que, no momento do acidente, chegava à torre e, estando a cinco metros, foi totalmente carbonizado. Isto, em sua opinião, mostra que não há sistema de segurança capaz de permitir a evacuação da torre. Ele ainda explicou que o acesso à torre é controlado e só é permitido com o uso de equipamentos de segurança adequados.
Tiago da Silva informou que os procedimentos de segurança serão revistos, mas não em função da morte de 21 pessoas, uma vez que elas estavam dentro do esquema de segurança existente. O major-brigadeiro explicou que, normalmente, os acidentes aeronáuticos estão ligados a causas humanas, mas esse aponta para uma causa material.
SABOTAGEM
A possibilidade de sabotagem, segundo o major-brigadeiro nunca foi descartada e o relatório da comissão mostrará isso. Os componentes dos equipamentos utilizados, segundo ele, são comprados da Índia, França, Inglaterra, Rússia e Estados Unidos, entre outros países. “Não há possibilidade de utilização de equipamento inadequado ou sabotado porque eles são totalmente analisados por técnicos brasileiros”.
Quanto a escassez de recursos, ele afirmou que quanto mais recursos houver, mais rapidamente sairemos da dependência econômica. “A Índia entrou no programa especial na mesma época do Brasil (década de 60). Se investíssemos metade do que eles investem, já estaríamos em outra situação, pois os técnicos brasileiros são muito criativos”.
Reportagem - Maristela Sant´Ana
Edição – Paulo Cesar Santos
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