Índio denuncia governos por desvio de verba
17/09/2003 - 18:20
O diretor-administrativo do Instituto Warâ, Escrawen Sompre, criticou os recursos orçamentários previstos no Orçamento 2004 para a proteção do território indígena e a demarcação de suas terras. Em sua avaliação, pelos números apresentados pelo secretário-executivo do Instituto de Estudos Sócio Econômicos (Ibesc), Ricardo Verdum, as demarcações de terras indígenas não serão concluídas no governo de Lula. Ele criticou também o volume de recursos destinados à educação indígena e à proteção do meio ambiente.
O secretário-executivo do Cimi-RR, Jonilson Raposo Batista, concorda e faz uma denúncia: ele acusa governos estaduais de não repassarem os recursos para as tribos, a fim de utilizá-los em campanhas eleitorais. Ele também reclamou da não-conclusão das demarcações de terras, da escassez de recursos para a saúde e para a produção agrícola. Em sua opinião, o MEC deve repassar mais recursos para que os índios tenham acesso a tecnologias.
Quanto à centralização das ações governamentais voltadas para os povos indígenas - proposta apresentada por outros participantes do Seminário -, apesar de defender o fortalecimento da Funai, Escrawen Sompre acredita que acarretaria resistência por parte dos ministérios quanto ao repasse de verbas.
FALTAM TERRA, SAÚDE E ESCOLA
Para Sompre, a única coisa que o Governo tem feito quanto ao meio ambiente é criar unidades de conservação sem qualquer compensação aos povos indígenas. Segundo ele, tais unidades impedem que os índios tirem proveito da terra. "Estão tomando nossas terras de forma legal", afirmou. Ele defende como política ideal a adoção de tratamento diferenciado para os 120 povos existentes no País em contraposição ao tratamento homogêneo existente hoje, que desconsidera as diferenças étnicas.
O índio Carlos Francisco Brandão, coordenador da União das Nações Indígenas do Acre e do sul do Amazonas, criticou o fato de o Estatuto do Índio ainda não ter sido aprovado pelo Congresso. Ele também afirmou que os recursos orçamentários para políticas indígenas são muito escassos, principalmente para educação e saúde. Segundo Brandão, vários índios já concluíram o ensino médio e desejam ingressar na faculdade, mas não conseguem acesso ao ensino superior. Ele pediu apoio das autoridades para que os indígenas possam ter esse direito.
Eles participam, neste momento, do Seminário Ações Governamentais para os povos indígenas na Amazônia que está acontecendo no auditório Nereu Ramos.
Reportagem - Mauren Rojahn
Edição - Maristela Sant`Ana
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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