Franco: norma do Banco Central não causou prejuízo
22/07/2003 - 13:28
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, que participa de audiência na CPMI do Banestado, declarou que os prejuízos ao País não foram causados pela norma editada pelo Banco, mas, sim, pela fraude, por quem descumpriu a norma. Franco foi convidado para explicar as autorizações especiais dada pelo Bacen para contas CC-5 em Foz do Iguaçu (PR).
Ele explicou aos parlamentares que as autoridades monetárias brasileiras poderiam fechar contas CC-5 e acabar com as autorizações especiais, mas isso prejudicaria a movimentação legítima, só trazendo vantagens para os doleiros. Gustavo Franco enfatizou que não se pode ignorar as particularidades das fronteiras.
Gustavo Franco acha que esse debate que está em andamento sobre controle e liberdade cambiais é muito amplo. "Tem que ficar claro o que é evasão, o que é remessa irregular e o que é um descumprimento das normas", alertou.
SONEGAÇÃO
A CPMI tem muitas informações fornecidas pelo Banco Central, portanto, "é um paradoxo se dizer que o Bacen quis ocultar informações" defendeu Gustavo Franco, referindo-se ao ministro do TCU Adilson Mota, que acusou a instituição de sonegar documentos.
DOLEIROS
O ex-presidente do Bacen acredita que pela diversidade dos envolvidos na evasão de divisas, o que será encontrado não serão grandes esquemas de remessa ilegal de dinheiro, mas um número expressivo de redes ligadas a doleiros de atuação regional. "Se alguém deve ser encontrado, esse alguém é o doleiro", disse Gustavo Franco, explicando que eles atuam protegidos pelos "laranjas". "Esse é o desafio da investigação", concluiu.
Nesse momento os parlamentares estão fazem perguntas ao convidado e debatendo o assunto, na sala 02 da Ala Nilo Coelho do Senado Federal.
Por Gizele Benitz - Rádio Câmara/ ND
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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