Convidados falam sobre investigação em contas CC5
10/07/2003 - 13:34
A CPI Mista do Banestado, que investiga a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas para paraísos fiscais por meio de contas CC5, ouviu, há pouco, o presidente-interino do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf), Marcos Caramuru. Ele explicou aos integrantes da CPMI que o Coaf é uma unidade de inteligência do Ministério da Fazenda, que coleta informações sobre movimentações financeiras suspeitas. No entanto, Caramuru disse que o Coaf só trabalha com informações legais repassadas pelo sistema regular, e que não tem relação direta com as transações do Banestado.
INVESTIGAÇÃO
O coordenador de Fiscalização da Receita Federal, Paulo Ricardo de Souza Carvalho, disse que, em abril de 1996, o Banco Central estabeleceu novas diretrizes em relação às transferências de recursos para o exterior, proibindo a transferência em espécie por meio de contas CC5 para outro País. Paulo Ricardo afirmou, entretanto, que foi aberta uma exceção para as agências de Foz do Iguaçu (PR) por causa do intenso fluxo de sacoleiros. Depois da autorização dada em 1996, o Banco Central começou a detectar transações suspeitas realizadas em Foz do Iguaçu por meio das contas CC5. A suspeita foi comunicada ao então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que, em maio de 1997, requisitou instauração de inquérito policial para apurar os fatos relatados pelo Bacen.
MOROSIDADE
O deputado Moroni Torgan (PFL-CE) criticou que houve lentidão nas apurações dos fatos. "A receita tem o mesmo problema, porque ela via acontecer irregularidades e não tomava providências, e o Coaf, da mesma forma, porque, a partir de outubro 1998, deveria ter começado a agir. São questões como essas que se supõe um desvio de US$ 30 bilhões. O Coaf existe justamente para evitar que a evasão de divisas e a lavagem de dinheiro ocorram, mas parece que quando o dinheiro é muito, as investigações andam devagar".
NÚMEROS
De acordo com Paulo Ricardo, depois da formação da força-tarefa composta pela Receita Federal, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, foram investigadas 222 pessoas que movimentaram 244 contas bancárias.
Até agora, a Receita analisou 144 mil operações realizadas nas contas CC5, que representam R$ 4,8 bilhões.
Por Alexandre Lemos - Rádio Câmara/ ND
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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