Governo é criticado por descontinuidade de programas

24/04/2003 - 18:03  

Deputados de Oposição criticam o Governo Lula por não utilizar os programas sociais já iniciados na gestão de Fernando Henrique. As críticas foram feitas durante audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e de Seguridade Social com o ministro da Segurança Alimentar, José Graziano. O ministro desculpou-se mais uma vez por ter associado a situação do Nordeste à violência urbana e fez um balanço do seu trabalho até agora.

43 MIL FAMÍLIAS
O número de pessoas que passa fome no Brasil ainda é uma dúvida. Por isso, o Ministério da Segurança Alimentar trabalha com os dados de 2001 do IBGE. Pela pesquisa, 46 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. De acordo com o ministro, com três meses de vida, o Programa Fome Zero atendeu mais de 23 mil famílias da região do semi-árido. Já no mês que vem, o Fome Zero estará atendendo mais de 43 mil famílias, distribuídas em 81 municípios dos estados do Piauí, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Graziano explicou aos deputados que o programa envolve desde a construção de cisternas nas casas das famílias inscritas até programas de geração de emprego e renda. Ele informou, no entanto, que a complementação de renda de R$ 50 que cada família recebe mensalmente deve ser gasta exclusivamente na aquisição de alimentos.
Uma das novidades das ações sociais a partir deste ano, segundo o ministro, foi a criação de um conselho gestor para gerenciar os recursos do Fundo de Combate à Pobreza. Também está sendo feita uma revisão do cadastro de famílias inscritas nos diversos programas sociais. O cadastro atual ainda mantém pessoas mortas e possui duplicidade de nomes e inscrições, como mostra estudo do Tribunal de Contas da União.

DURAS CRÍTICAS
Mesmo com as explicações, a Oposição fez duras críticas. A maior delas foi feita pelo líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA). Ele acusa o governo Lula de ignorar os programas sociais do governo FHC. "O que eu critico é o fato de o governo parar tudo para fazer um programa com o nome de Lula. Eles podem iludir os que lêem jornal, mas não iludem a população que está lá no interior e que sabe a importância dos programas antigos, que sabe o ônus que está pagando pela descontinuidade", analisa. Aleluia afirma que não se oporá ao Fome Zero, "a não ser que ele se torne uma bandeira partidária".
Já o vice-líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS), argumentou que se o povo brasileiro quisesse que o Lula desse continuidade aos programas do governo Fernando Henrique Cardoso, teria votado em José Serra para presidir o País. "Nós estamos mantendo tudo aquilo que é bom, mas estamos alterando tudo aquilo que havia de errado e que é vontade do povo brasileiro que seja alterado".

Por Carla Benevides e Márcia Brandão/PR

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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