PTB E PDT LANÇAM MANIFESTO DO NOVO PARTIDO
23/11/2000 - 20:20
As bancadas do PTB e do PDT lançaram hoje manifesto com os princípios ideológicos do novo partido. O manifesto apresenta os 12 princípios que nortearão o novo partido. Mantém a fidelidade ao trabalhismo de Getúlio Vargas, mas abre espaço para mudanças que adaptem a legislação trabalhista e previdenciária aos dias de hoje. O novo partido, segundo o manifesto, encara a globalização como fenômeno que o País não deve ignorar, adota a luta permanente contra a inflação e a injustiça social, e é a favor da Reforma Agrária, da educação integral pública e de qualidade e de uma política de segurança pública com ações nos três níveis de governo.
Apesar de o manifesto encarar a fusão dos dois partidos como fato concreto, a bancada do PDT não está fechada com essa questão. O deputado Vivaldo Barbosa (RJ) e a senadora Emília Fernandes (AL) são contra a fusão dos dois partidos.
Vivaldo Barbosa informa que os diretórios estaduais do partido no Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul já se manifestaram contra a fusão. Ainda segundo o parlamentar, da bancada na Câmara de 18 deputados, pelo menos cinco discordam da fusão, "apesar de não revelarem isso", e acrescenta que não viu nenhum deles assinar o manifesto divulgado. O deputado acredita que existem mais chances de o PDT se fundir com o PSB, por causa do alinhamento ideológico. "Nós devemos avançar em alianças que estejam no nosso campo de ação política. Estamos em busca de alianças com setores nacionalistas, que dão muito mais coerência para a trajetória do PDT e correspondem com a essência e o objetivo do partido".
Em texto chamado "Carta aos Pedetistas", que o parlamentar distribuiu, diz que a história de 20 anos separa radicalmente os dois partidos, já que o PTB, durante a Constituinte, fez parte do Centrão, o bloco conservador da Constituinte, e apoiou o ex-presidente Collor até durante a CPI, neste ano, se aliou ao PSDB, ao qual o PDT faz oposição.
Já o deputado Caio Riela (PTB-RS), discorda de Vivaldo. Para ele, os dois partidos têm em comum o trabalhismo. Riela diz que está na hora de o PTB ter força para chegar à Presidência e acha que os parlamentares que discordam da fusão têm medo de conquistar o poder. "O PTB poderá resgatar sua história, mesmo tendo aliados com comportamentos e atitudes não-afinadas. Só digo uma coisa. Se a fusão não acontecer em 60 ou 90 dias, não vai ocorrer mais, e aí lamentamos."
Na opinião de Caio Riela, o PTB resultante da fusão dos dois partidos vai ocupar um espaço vazio, que é o da centro-esquerda. Para que a fusão entre PDT e PTB ocorra, existe a necessidade de que ela seja aprovada pelos Diretórios Nacionais. A intenção dos dois partidos é decidir sobre a fusão até março do ano que vem.
Por Luiz Cláudio Canuto/ RCA
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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