Audiência revela perdas do País com biopirataria
11/12/2002 - 11:00
O Brasil perde por ano com a biopirataria, só na Amazônia, R$ 30 bilhões. A informação é do representante do Ministério Público do Amazonas, Sérgio Lauria. Em audiência pública ontem na CPI do Tráfico de Animais e Plantas Silvestres no País, o procurador da República daquele Estado disse que o País não tem condições mínimas de controlar essa atividade ilícita. Segundo ele, não há estrutura, tanto no Ministério Público quanto no Ibama, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e na Justiça Federal. Sérgio Lauria criticou a falta de uma legislação mais dura para coibir o crime e sugeriu maior fiscalização dos portos, aeroportos e até mesmo nas agências de turismo.
DIFICULDADES DE PESQUISA
O representante da Universidade Federal do Amazonas, Marcelo Gordo, acusou o Ibama de dificultar as pesquisas na região, ou por demora ou por não autorizar a coleta de material para pesquisas. Para ele, é preciso definir quem são os parceiros das instituições nacionais. A dificuldade, disse Marcelo Gordo, acaba levando os pesquisadores a fazerem coletas ilegais.
O coordenador-geral de Pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Efrem Ferreira, informou que o orçamento anual para pesquisas é de R$ 5 mil por pesquisador. O Instituto tem 250 pesquisadores. O valor, considerado ínfimo para a pesquisa da totalidade da biodiversidade amazônica, segundo Efrem Ferreira, obriga o Inpa a firmar convênios com instituições estrangeiras.
INVESTIGAÇÕES
A CPI vai se concentrar também nessa semana nas investigações do tráfico de plantas, mais especificamente na extração ilegal de madeiras. Além de depoimentos que serão tomados em audiências públicas em Brasília, a Comissão fará uma audiência externa no Estado do Pará, no final desta semana, para ouvir representantes de ONG, do Governo, do Ministério Público e donos de madeireiras no Estado.
Por Érica Junot/ ACS
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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