Direito e Justiça

Secretaria Nacional de Combate às Drogas ignorou problema do crack, diz deputado

01/09/2011 - 17:42  

O deputado Osmar Terra (PMDB-RS) afirmou hoje que o problema do crack foi ignorado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) até o ano passado. “O problema se agravou por omissão e hoje é o mais grave problema de saúde e de violência da sociedade”, ressaltou. “O número de usuários triplicou nos últimos seis anos”, complementou. As declarações foram dadas no Seminário Nacional da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas.

Segundo o diretor de Projetos Estratégicos e Assuntos Internacionais da Senad, Vladimir Stempliuk, a secretaria formulou recentemente sistema de monitoramento precoce do uso e tráfico de entorpecentes, para acompanhar o surgimento de novas drogas. “Não queremos ser surpreendidos, tal qual ocorreu com o crack”, explicou. Ele informou ainda que a secretaria lançará até o final do ano campanha de prevenção ao crack nos meios de comunicação.

O professor José Carlos Pires de Souza, pós-doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, disse que a dependência ao crack, antes restrita às camadas mais pobres da população, hoje atinge também camadas mais ricas da sociedade. Conforme o médico, trata-se de uma droga de difícil tratamento, sem uma medicação específica recomendada para isso. Ele destacou a necessidade de equipes transdipliscinares para a recuperação desses usuários.

Prevenção

Assista aqui à entrevista do deputado Fábio Faria (PMN-RN) à TV Câmara sobre o combate ao crack no Brasil.

O representante do Senad no evento ressaltou que as ações de prevenção devem ser realizadas sobretudo no âmbito municipal e, para isso, a capacitação de pessoal é essencial. “Desde 2005, a secretaria promove curso a distância para educadores de escolas públicas”, relatou. Stempliuk informou ainda que o álcool, uma droga lícita, é a substância que mais impacta a sociedade brasileira, especialmente o sistema de saúde.

O presidente da Comissão de Políticas Contra as Drogas da OAB/PB, Deusimar Wanderley Guedes, também defendeu a prevenção, pois, na sua visão, a repressão não tem dado resultado. Segundo ele, o aparelho repressor do Estado cresceu nos últimos anos, mas o número de usuários cresceu muito mais, assim como o tráfico. Guedes informou ainda que 80% das plantações de maconha em Pernambuco – o estado brasileiro com mais plantações, ao lado do Maranhão - são feitas em terras da União e nada é feito em relação a isso.

Maconha
O psiquiatra Marcos Estevão Moura criticou a “apologia à maconha” existente hoje na sociedade. “Se houver a legalização, vamos ter uma população emburrecida. Além disso, a maconha cria psicoses e esquizofrenias, e provoca desmotivação, que às vezes é confundida com tranquilidade”, defendeu.

O deputado Osmar Terra também acredita que a solução para o problema das drogas não é legalizar a maconha. Ele acha que tem que haver mais restrições, inclusive em relação ao uso do álcool. Para ele, o usuário tem que ser responsabilizado.

Já os representantes da Senad e da OAB/PB enfatizaram que a população deve se manifestar pela mudança da Lei Antidrogas (Lei 11.343/06) e discutir inclusive a legalização de algumas substâncias.

Reportagem – Lara Haje
Edição – Marcelo Westphalem

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