Mulheres lançam plataforma política

05/08/2002 - 13:31  

A Câmara dos Deputados vai conhecer amanhã o posicionamento das mulheres brasileiras sobre as grandes questões nacionais, como participação na vida política, reforma agrária, democracia, racismo e economia. Será lançada às 11 horas, pelo Movimento Nacional de Mulheres, a Plataforma Política Feminista, que traz 269 artigos, definidos em encontros com mais de cinco mil mulheres em todos os estados.

PLATAFORMA FEMINISTA
A Plataforma Política Feminista foi aprovada pela Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras em junho e aponta desafios para os governos, candidatos, políticos e sociedade sobre questões nacionais e internacionais. O documento também traz temas exclusivos de gênero, como liberdade sexual e reprodutiva e a representação das mulheres em cargos públicos.
A plataforma também sugere mudança na lei de cotas, com o aumento de 30 para 50% das vagas que os partidos têm que garantir às mulheres nas disputas eletivas. "O principal da plataforma são as propostas de mecanismos para garantir o acesso da mulher nos espaços eletivos do poder", analisa a deputada Iara Bernardi (PT-SP), coordenadora da bancada feminina na Câmara.

PARTICIPAÇÃO ELETIVA
Iara Bernardi comentou a elevação do número de mulheres participando das eleições deste ano, que cresceu para todos os cargos em relação a 1998. Dados parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que 2.545 mulheres disputam algum cargo. "O número cresceu, mas ainda está longe de alcançar a cota de 30% definida em lei", destaca. Segundo a petista, o percentual ficará em torno de 13%, e o PT é o partido com o maior número de candidatas inscritas.
A secretária-executiva da Articulação das Mulheres Brasileiras, Sílvia Camurça, contesta as críticas de que as cotas não são cumpridas pelos partidos porque faltam mulheres para se candidatar. "As mulheres ganham menos do que os homens, então têm muito menos recursos. Dificilmente a família apóia. Seus partidos também são muito reticentes em apoiar; às vezes eles apenas instrumentalizam para ter mulheres candidatas e cumprir mais ou menos os acordos". E assinala que os grupos políticos que têm mais força no País são extremamente oligárquicos. "E a oligarquia é algo patriarcal. O poder econômico, que hegemoniza os partidos, está na mãos dos homens. Então, dizer que não tem muitas mulheres para as cotas serem cumpridas é uma explicação completamente equivocada".

DADOS DO TSE
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, as 513 cadeiras da Câmara serão disputadas por 558 mulheres e 4.083 homens. Já no Senado, 40 mulheres e 287 homens concorrem a 54 vagas. As 1.059 cadeiras dos legislativos estaduais e do Distrito Federal terão 1.929 mulheres e 11.032 homens na disputa. Em 12 estados brasileiros, há mulheres postulando os governos. São 18 mulheres e 184 homens na disputa pelas vagas.

O lançamento oficial da Plataforma Política Feminista será no plenário da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (3).
Utilizando as entidades organizadas, as mulheres, que representam mais da metade dos eleitores, vão encaminhar o documento para todos os candidatos a presidente da República e partidos políticos.

Por Márcia Brandão e Luciana César/RCA

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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