CPI do Banespa aprova relatório final

12/06/2002 - 09:48  

Depois de muita negociação, a CPI do Banespa aprovou depois da meia-noite, por unanimidade, o relatório final elaborado pelo deputado Robson Tuma (PFL-SP). Para chegar a um consenso, o relator incluiu várias sugestões elaboradas principalmente pelo PT. Mesmo assim, o documento foi criticado por alguns parlamentares.

CRÍTICAS
Os deputados Ricardo Berzoini (SP) e Iara Bernardes (SP), ambos do PT, lamentaram que no relatório não tenha sido pedida a investigação por parte do Ministério Público de ex-governadores de São Paulo, como Paulo Maluf, Franco Montoro, Oréstes Quércia e Luiz Antônio Fleury. Segundo Berzoini, eles também foram responsáveis pelo endividamento de São Paulo com o Banespa, prejudicando a situação patrimonial do banco. "Na verdade, a deterioração patrimonial do Banespa ocorreu no governo Maluf, Montoro, Quércia e Fleury, que já pegou o estado endividado junto ao Banco e apenas fez uma renegociação pouco adequada tecnicamente. Todos esses governadores podem ter sua gestão investigada sim. Todo homem público e mulher estão sujeitos à investigação".
O deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP) concorda com as críticas do PT. Para ele, a CPI não foi neutra e falhou porque não ouviu depoimentos importantes como o de Pedro Malan, que era presidente do Banco Central, e de Ciro Gomes, que era Ministro da Fazenda na época da intervenção, em dezembro de 1994.
Mas para o presidente da CPI, Luiz Antônio Fleury (PTB-SP), o relatório reflete exatamente o que foi apurado e não se pode politizar o resultado dos trabalhos. "Por estarmos em ano eleitoral, é normal que essas interpretações políticas possam ser levantadas, mas não podemos permitir que se perca um trabalho minucioso e cuidadoso com interpretações políticas de última hora".

RELATÓRIO
O relatório final da CPI tem quase 400 páginas. O deputado Robson Tuma relata várias irregularidades, entre elas, a adulteração do Balanço do Banespa de 1994 e as motivações políticas e manobras do Banco Central que levaram à intervenção e privatização do Banco.
A CPI remete o relatório ao Ministério Público, que vai apurar as responsabilidades civis e penais do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, de ex-diretores do Bacen e de interventores do Banespa.
A Comissão de Inquérito também propõe ao Ministério Público o indiciamento dos dirigentes do Banco Fator, do Consórcio Booz Allen e da Fipecafi, pelos indícios de acerto de preços nas avaliações do Banco para sua privatização.

Por Poliani Castello Branco/LC

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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