Governo advertiu sobre cortes, diz ministro
27/02/2002 - 13:23
Ao ser abordado sobre a questão da contribuição previdenciária dos inativos, o ministro do Planejamento, Martus Tavares, lembrou que, quando o Governo mandou a previsão de orçamento para o Congresso, deixou claro que haveria cortes se a contribuição não fosse aprovada.
Sobre o assunto, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, alertou que, se a questão não for resolvida agora, em algum momento um governante vai ter de enfrentar o problema da contribuição dos inativos. Malan informou que este ano a diferença entre o pagamento de pensões e aposentadorias federais, estaduais e municipais e as contribuições arrecadadas é de mais de R$ 45 bilhões. "É duas vezes o que se gasta com saúde e seis vezes o que se gasta com educação", afirmou.
RESTOS A EXECUTAR
Quanto à questão dos restos a executar do Orçamento de 2001, que ficaram para 2002, o ministro Pedro Malan informou que o Governo vai ter de eleger prioridades, "porque não é possível executar dois orçamentos num mesmo exercício".
RAZÕES PARA O CORTE
Pedro Malan, questionado sobre os cortes no Orçamento de 2002, justificou que, como o Governo não pode mexer em receitas vinculadas, teve que fazer cortes em áreas como desenvolvimento urbano e saneamento, "mas preservou a área social, porque a saúde, por exemplo, ficou com R$ 22,1 bilhões, o que representa R$ 14,1 bilhões a mais que em 1999".
RELATOR ACUSA GOVERNO DE SUPERESTIMAR RECEITA
O relator do Orçamento/2002, deputado Sampaio Dória (PSDB-SP), voltou a reafirmar que o Governo superestimou receitas. "O Governo prevê receita de R$ 3 bilhões com telefonia celular em um cenário de depressão mundial, principalmente nesse setor. Não é nem irrealismo, é surrealismo".
Por Rosalva Nunes/LC
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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