Governo vai comprar 700 mil toneladas de trigo nacional

21/10/2009 - 18:21  

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou em audiência pública nesta quarta-feira a compra subsidiada de 700 mil toneladas de trigo nacional a partir da próxima semana.

A medida faz parte da estratégia governamental de abaixar o nível de estoques do produto. Na operação, o governo toma prejuízo de R$ 50 por tonelada, que é a diferença entre o preço mínimo assegurado aos triticultores (R$ 530) e o preço praticado no mercado (R$ 480).

O ministro negou que a redução da oferta do produto no mercado, que tende a puxar para cima os preços da farinha de trigo, vá encarecer o pão francês. "Não trará nenhuma influência para aumento do pãozinho", enfatizou.

Outras sugestões
Durante a reunião, promovida pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Stephanes revelou que o governo estuda outras duas medidas para aliviar os estoques de trigo produzidos no País.

Segundo ele, o governo estuda suspender a licença de importação automática do produto da Argentina. Além disso, foi proposto à Câmara de Comércio Exterior (Camex) o aumento da alíquota de importação de trigo de países que não integram o Mercosul de 10% para 35%.

No ano passado, o governo havia baixado essa alíquota a zero para fazer frente à escassez do produto argentino, afetado por secas. O resultado, porém, foi que as moagens preferiram importar trigo de países como Estados Unidos e Canadá, geralmente de melhor qualidade, a comprar o produto nacional, que se acumulou nos celeiros dos produtores ou do governo. "Não é o pão nosso de cada dia, é o pão deles de cada dia", afirmou o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), em referência ao fato de que o pão produzido no Brasil usa primordialmente trigo importado.

Imposto de Importação
Colatto defendeu o aumento da alíquota do Imposto de Importação de trigo para 35%, ressalvada a alíquota zero do Mercosul, mas lembrou que os estados são incentivados a importar trigo porque sobre o produto estrangeiro não incide a alíquota interestadual do ICMS, aplicável apenas ao grão proveniente de outro estado.

Segundo Stephanes, a indústria do trigo alega que a elevação da alíquota do Imposto de Importação vai aumentar o preço do pão. Ele argumenta, contudo, que os preços atuais foram fixados quando o preço do trigo estava a R$ 750 a tonelada, razão pela qual não haveria motivo para novas altas. "O trigo caiu para R$ 500, para R$ 480 a tonelada, mas o preço do pão se manteve estável", explicou.

Abelardo Lupion (DEM-PR) afirmou que a solução para o encalhe do estoque de trigo nacional exige criatividade e não pode onerar o agricultor. "Quem vai carregar esse trigo não pode ser o produtor, senão ele não vai conseguir pagar o Banco do Brasil, não vai conseguir fazer uma nova safra e vai ser o penalizado", disse.

Reinhold Stephanes reclamou da falta de boa vontade da indústria do trigo com o produtor nacional. "A cadeia [produtiva do trigo] não funciona como um time, como deveria efetivamente funcionar", disse. "A política da triticultura apoia-se no tripé governo, produtor e indústria. Se não se ajustarem, haverá um fracasso da cultura de trigo", concordou Moacir Micheletto (PMDB-PR).

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Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Patricia Roedel

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