Professor critica projetos que não desenvolvem a região Amazônica
07/10/2009 - 13:36
O professor aposentado da Universidade Federal do Pará (UFPA) e especialista em planejamento regional Armando Mendes disse há pouco que o País deve refletir sobre a Amazônia considerando todos os aspectos de uma região que não é homogênea e é povoada por 25 milhões de pessoas. A região, disse durante o 3º Simpósio Amazônia, não deve ser vista apenas como um espaço natural, mas como habitat de uma população que precisa se valer dos recursos naturais para preservar suas vidas.
Mendes também criticou a elaboração de projetos que, segundo ele, são apenas desenvolvidos na região, para beneficiar outros estados. Seria o caso da construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, que beneficiaria principalmente outros estados, empregando apenas temporariamente a população do estado.
"Esses projetos estão na Amazônia por uma fatalidade geográfica, porque as fontes de energia elétrica estão lá. Não são projetos com o objetivo final de melhorar a Amazônia, mas de sustentar o crescimento da capacidade econômica do País. Deixam alguns empregos diretos, um mínimo de royalties e criam uma enorme responsabilidade para os estados de atender às demandas por saúde e educação criadas pelo adensamento geográfico", criticou o professor.
Preconceito
Na opinião do professor, a Amazônia e sua população sofrem hoje discriminação do resto do País, principalmente quando é acusada de ser a "vilã" do aquecimento global, em razão do desmatamento. "Ninguém denuncia as políticas erradas que devastaram as matas de araucária no Paraná. Ninguém denuncia a devastação da Mata Atlântica, que ainda persiste. Há muito preconceito em relação à Amazônia."
O simpósio foi interrompido para almoço, e os debates serão retomados à tarde. O evento ocorre no Auditório Nereu Ramos e é coordenado pelas comissões da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; pela Confederação Nacional do Comércio; e pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB). Reportagem – Noéli Nobre
Edição - Natalia Doederlein
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