Temer e líderes criticam invasão do MST no interior paulista

06/10/2009 - 20:26  

O presidente da Câmara, Michel Temer, e líderes do governo e da oposição criticaram, nesta terça-feira, a invasão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) a uma fazenda produtiva do interior de São Paulo. O partido Democratas vai insistir na instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as ações do MST.

Cerca de 250 famílias ocupam a fazenda da empresa Cutrale, perto de Lençóis Paulista, com o objetivo de forçar o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) a acelerar a reforma agrária na região. Nos últimos dias, os sem-terra teriam destruído sete mil pés de laranja da fazenda. A área fica próxima também a Borebi, a 309 km de São Paulo.

A Cutrale, uma das maiores exportadoras de suco de laranja, divulgou nota em que afirma que a fazenda é produtiva e gera empregos na região. Já o MST, que pretende substituir os pés de laranja por plantações de feijão e milho, sustenta que a área é pública e está ocupada irregularmente pela empresa.

Sem justificativa
O presidente da Câmara, Michel Temer, avalia que esse tipo de invasão prejudica as ações do MST. "A Constituição permite a desapropriação de terra improdutiva. Eu não tenho os dados concretos, mas se a terra é produtiva não há como justificar legalmente uma eventual invasão. Não é útil para o movimento."

Temer ressalta que o governo federal "tem prestigiado enormemente" o movimento e feito o possível para promover uma grande reforma agrária no País. "De modo que, no meu modo de ver, quando se ultrapassa os limites legais não é bom para ninguém e, naturalmente, para o movimento".

MST e FARC
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), foi além e comparou o MST aos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que são ligados ao tráfico de drogas.

Caiado também denunciou o suposto apoio do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, às ações do movimento e anunciou nova coleta de assinaturas para a instalação de uma CPI mista para investigar o MST.

"Isso mostra a maneira criminosa como o MST trata as propriedades rurais produtivas, com o único e exclusivo intuito de provocar exatamente esse acirramento e essa luta de classes", afirma o parlamentar.

Segundo ele, o MST hoje "é realmente as Farc brasileiras, mantida e financiada pelo Cassel, com dinheiro público. E lógico, que ele não quer deixar abrir uma CPMI porque já identificamos todo o repasse que ele faz para as entidades que alimentam o MST ".

PT rebate insinuações
Já o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), rebate as insinuações de envolvimento de integrantes do governo nas ações do MST e avalia que a invasão da fazenda no interior paulista deve ser analisada com cautela.

"O PT é um partido político e o MST é um movimento social, e não temos participação nas ações do MST. Você acha que o PT iria mandar alguém ocupar terra? Achar uma coisa dessa é de gente que não tem cabeça", criticou o deputado.

"Aquele problema específico junta, de um lado, terras que provavelmente foram griladas. Mas a Cutrale comprou aquelas terras, provavelmente de um grileiro, e era uma terra produtiva", diz Vaccarezza. "Não é da tradição do MST ocupar terra produtiva. Olhando à distância, eu acho que o caminho ali deveria ser mais para um acordo do que para um confronto. Então, estamos vendo com cautela os acontecimentos."

*Matéria atualizada às 20h29.

Reportagem – José Carlos Oliveira/Rádio Câmara
Edição - Newton Araújo

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