Perito diz que pilotos do jato Legacy mentiram

29/09/2009 - 21:51  

O perito Roberto Peterka, especialista em investigação de acidentes aéreos, disse que se pode afirmar com base na análise de dados como caixa preta e de voz que os dois pilotos do jato mentiram quanto aos procedimentos de segurança adotados para aquele voo.

Os pilotos disseram que haviam realizado o teste obrigatório do T-CAS, quando todas as evidências, segundo o perito, tornam óbvio que esse teste nunca foi realizado, pois isso teria deixado uma série de registros que não existem.

"Na análise do momento da colisão, toda uma série de alarmes teriam sido acionados e percebemos que nenhum desse alarmes apareceu. Eles nunca sequer ligaram o equipamento", detalhou.

O especialista descartou também que tenha havido defeito no equipamento Transporder. Pela avaliação de Peterka, não houve defeito ou mal-funcionamento do aparelho. Se ele não estava ligado foi porque ele também não foi acionado pelos dois pilotos norte-americanos.

Roberto Peterka apresentou na reunião um parecer baseado nas investigações da Aeronáutica. Nesse parecer, ele relata que os pilotos do Legacy não estavam aptos de acordo com a legislação brasileira a pilotar aquele jato. "Eles não tinham pré-requisitos como número de horas voadas aqui, também não prestaram atenção ao planejamento e ao plano de voo, trafegavam em uma altura para a qual não estavam autorizados e ainda por cima deixaram de acionar o mecanismo T-CAS, que deve ser utilizada em conjunto com o aparelho Transponder, que aliás, estava desligado", disse.

Aeronáutica não comenta
Surpresos com a informação, os deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Emanuel Fernandes (PSDB-SP) quiseram saber se as informações apontadas por Peterka eram inéditas e se a Aeronáutica havia tomado conhecimento delas durante as investigações. Fernandes questionou também se a investigação poderia ser reaberta diante de fatos novos.

O chefe do centro de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro do ar Jorge Kersul Filho, não quis responder se havia alguma novidade nas conclusões de Peterka, mas relatou que as investigações poderiam ser reabertas se houvesse algum fato relevante, mas esse não era caso. Dando a entender que não há surpresa para a Aeronáutica nas conclusões do especialista.

Questionado por Emanuel Fernandes sobre a existência de um ponto cego para radares sobre a região amazônica, Kersul negou que esse ponto exista. "Posso dizer com segurança que isso não existe no Brasil. No momento do acidente, aquele Legacy aparecia em cinco radares diferentes. s radares não falharam, o jato que deixou de ser cooperativo com o controle aéreo", afirmou.

Reportagem - Juliano Pires
Edição – Wilson Silveira

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