Professor aponta erros no planejamento dos transportes urbanos
01/09/2009 - 18:46
O professor Joaquim Aragão, do Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes da Universidade de Brasília (UNB), afirmou há pouco, na Câmara, que existe um erro no planejamento de transportes públicos no País, que, no seu entender, não deve ser baseado em fluxos e demandas, como em geral é feito, mas sim pelo raciocínio inverso.
"A concepção da rede urbana dever priorizar a ocupação de áreas que facilitem a locomoção de pessoas, caso contrário se estará priorizando a distribuição de populações excludentes, quando não inviáveis", observou Aragão durante a 10ª Conferência das Cidades, no Auditório Nereu Ramos. Essa teria sido, segundo ele, a diferença entre o planejamento de Curitiba (PR) e de outras cidades brasileiras.
Planos diretores
Entre os pontos que devem ser priorizados no planejamento urbano, ele destaca a adaptação dos planos diretores urbanos e da legislação urbanística para facilitar a criação de corredores, e o desenvolvimento de projetos para novos sistemas de transporte de massa.
Joaquim Aragão é defensor da locomoção do veículo leve sobre trilhos (VLT) ou sobre pneus (VLP) para integrar diferentes núcleos dentro da cidade. "Nosso sistema viário é extremamente mal concebido e mal implementado. Ele não é coeso, como as cidades do Brasil não são coesas. Elas são um amontoados de núcleos sem planejamento nem integração."
Para ele, um exemplo de cidade não coesa é Brasília, que necessitaria de um VLP integrando os diferentes núcleos, as cidade satélites. Já um exemplo de cidade mal concebida seria em São Paulo, com a Marginal Pinheiros, que recebe caminhões de rodovias, e deságua na Avenida Bandeirantes, que tem semáforos e trânsito tipicamente urbanos. "Nem têm como funcionar", arremata Argão.
A conferência continua no Auditório Nereu Ramos. Reportagem – Juliano Pires
Edição - Newton Araújo
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