Médicos condenam restrição a tratamento da obesidade
04/12/2001 - 17:12
Em depoimento perante a Comissão de Seguridade Social e Família, o presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, Mácio Mancini, condenou o Projeto de Lei 3466/00, do deputado Fernando Coruja (PDT-SC), que proíbe a associação de medicamentos para tratamento médico da obesidade.
De acordo com a proposta, ficaria vedada a utilização simultânea de medicamentos - como, por exemplo, anfetaminas e diuréticos. Márcio Mancini entende ser impossível obedecer à proibição, porque a associação de medicamentos é exatamente a terapêutica indicada para atacar as causas da obesidade, que podem ser retenção de líquidos, mau funcionamento dos intestinos, distúrbios hormonais ou outros, muitas vezes associados.
Também o cirurgião Pedro Luís Betevello, especialista em obesidade mórbida no Hospital Beneficência Portuguêsa de São Paulo, condenou a proposta. De acordo com ele, muitas vezes nem o tratamento clínico com associação de medicamentos resolve. Nesses casos, só a cirurgia pode surtir efeito. Betevello disse que os pacientes que se submetem a essas cirurgias reduzem em 50% todos os riscos que corriam enquanto eram obesos, e que o índice de mortalidade da cirurgia é de 0,7%, muito menor do que o índice das pessoas que estão esperando na fila para a cirurgia, que alcança 3%.
Por Ariane Farias/AM
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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