Direito e Justiça

Temer: candidatura de Marina Silva muda o quadro da sucessão

19/08/2009 - 20:08  

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, afirmou nesta quarta-feira no Salão Verde que o quadro para a sucessão presidencial de 2010 muda com a saída da senadora Marina Silva (AC) do Partido dos Trabalhadores (PT) e a sua eventual candidatura à Presidência da República pelo Partido Verde (PV).

Temer disse que, na sua opinião, o ponto mais importante não é se ela tumultua ou não a disputa que vinha se desenhando, e sim o simples fato de poder haver um novo nome. "Por maiores ou menores que sejam os índices registrados por um candidato nas pesquisas de opinião, as novidades sempre alteram o equilíbrio que existia anteriormente", apontou.

O presidente acrescentou que ainda é muito cedo para avaliar se a ex-ministra do Meio Ambiente alcançará sucesso na campanha. "Isso o futuro é que vai dizer", comentou.

Qualidades
A decisão de Marina Silva também repercutiu entre os líderes partidários. O líder do Governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse ainda acreditar que ela possa ficar no PT. "A ex-ministra Marina é um grande quadro político e eu sempre torço para que ela permaneça no PT junto conosco, construindo as mudanças políticas que estamos implantando no País", afirmou.

Ele acrescentou que pessoas com as qualidades da Marina fazem falta e nunca é bom perder alguém com a história, o perfil e o caráter da senadora. Fontana lembrou que Marina também contribuiu com as mudanças feitas pelo atual governo ao longo dos seis anos em que permaneceu no ministério.

"A nossa preocupação, quando conversamos com Marina, é a de que ela não abandone o nosso projeto. Afinal, todos os projetos têm pontos altos e baixos, mas o nosso tem muito mais qualidades do que defeitos. Podemos inclusive corrigir eventuais erros que tenhamos cometido, mas devemos sempre continuar juntos", acrescentou.

Fontana disse ainda que a candidatura à Presidência da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, permanece forte. "Toda eleição é difícil, mas o próprio posicionamento da Dilma nas pesquisas nos deixa muito esperançosos", ressaltou.

Insatisfação
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), vê a mudança por outro ângulo. Segundo ele, a saída de Marina Silva do PT é uma mostra da insatisfação geral com o fato de o presidente da República ter imposto uma candidata: "A candidatura da ministra Dilma foi um desrespeito ao partido. Uma pessoa simplesmente decidiu que seria ela e pronto. Isso mostra que a situação interna no PT é de muita instabilidade; a própria candidatura dela já mostrou sinais claros disso."

Caiado disse que a saída de Marina Silva do PT e a aparente decisão do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) de também se candidatar a presidente seriam sintomas de que Dilma não consegue aglutinar nem mesmo a sua própria base política.

Carta
Marina Silva encaminhou uma carta aberta ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), comunicando o seu desligamento do partido. Ela argumentou que foi convidada para apresentar, ao Brasil, um projeto que expresse conhecimentos, experiências e propostas voltadas para um modelo de desenvolvimento baseado na sustentabilidade ambiental, social e econômica.

Segundo ela, teriam faltado no atual governo condições políticas de fazer a questão ambiental ser contemplada pelas políticas públicas.

Reportagem – Juliano Pires
Edição – João Pitella Junior

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