Maior dificuldade de escalpelada é recuperar a autoestima
18/06/2009 - 16:04
A maior dificuldade das mulheres escalpeladas é a reinserção na vida social, principalmente no mercado de trabalho, e a recuperação da autoestima. Essas mulheres, muitas vezes, perdem totalmente o couro cabeludo e nunca mais voltarão a ter cabelos, além de ficar com o rosto deformado.
"Muitas vítimas ainda não superaram o trauma. Temos uma sala de acolhimento doada pelo governo estadual para buscar resgatar a autoestima dessas mulheres, mas nosso cabelo não vai voltar. Esse acidente é a coisa mais horrível", ressaltou a presidente da Associação das Mulheres Ribeirinhas e Vítimas de Escalpelamento do Amapá, Maria do Socorro Damasceno.
Ela criticou ainda o baixo valor de indenizações concedidas pela Justiça em muitos casos. "Às vezes, são R$ 3 mil, mas esse valor não paga nem a peruca que a gente vai usar."
Indenização
A concessão de indenização às vítimas foi discutida em grupo multidisciplinar criado pelo governo federal. Segundo o assessor do gabinete pessoal do presidente da República Diogo de Sant`ana, foi definido que o reparo financeiro será concedido com recursos do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Embarcação ou por sua Carga (DPEM).
Esse fundo é formado a partir das contribuições de embarcações registradas, mas 2% das reservas são destinadas a situações excepcionais, inclusive os casos que envolvem embarcações clandestinas, onde ocorre a maioria dos escalpelamentos.
A dificuldade, segundo Sant`ana, de efetivar a concessão da indenização está na perícia, que muitas vezes não é realizada. "A gente tem dificuldade de enviar médicos aos locais ou de trazer as mulheres para onde estão os médicos. Os deputados deveriam articular com os governos estaduais do Pará e do Amapá a realização da perícia", sugeriu.
O assessor informou ainda que o Ministério dos Transportes estuda a renovação da frota ribeirinha. Essa ação, no entanto, depende de financiamento. O Banco da Amazônia se dispôs a colaborar. Reportagem - Noéli Nobre
Edição - Newton Araújo
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