Agronegócio foi classificado como fundamental para superar crise
27/05/2009 - 18:04
Um dos setores classificados como fundamental para ajudar o Brasil a superar os efeitos da crise financeira internacional foi o agronegócio, especialmente aquele voltado ao mercado externo. Durante a comissão geral para discutir o assunto, realizada nesta quarta-feira, o deputado Antonio Palocci (PT-SP), relator da comissão especial que estuda os efeitos da crise internacional sobre o mercado financeiro brasileiro, defendeu a proteção ao agronegócio brasileiro.
Segundo ele, esse é o setor mais competitivo da economia brasileira, mas, ao mesmo tempo, é o mais vulnerável. Palocci afirmou que esse cuidado é necessário porque a atividade é arriscada, pois depende do câmbio e do clima, duas áreas igualmente imprevisíveis.
O deputado disse que o debate sobre questões macroeconômicas, como câmbio e taxa de juros, é importante, mas também ações que defendam a produtividade da indústria nacional. Ele citou o aumento do emprego formal, como a principal conquista dos tempos recentes, que também deve ser defendido. "E também é preciso iniciar um ciclo de crescimento mais responsável do ponto de vista financeiro, mas também nas questões ambientais", disse.
Oportunidade
O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que também participou da comissão geral, disse que existe um cenário internacional de oportunidade para o agronegócio brasileiro. Ele explicou que os estoques internacionais de milho, arroz e trigo, por exemplo, nunca estiveram tão baixos.
Segundo ele, a queda dos preços para o setor afeta mais o Hemisfério Norte, onde os agricultores não terão incentivo para grandes safras, o que deve fazer cair a oferta. No Brasil, a alta do dólar compensa os preços e, segundo Rodrigues, a demanda estará aquecida e os preços não devem cair mais, tendo atingido seu patamar real.
Para aproveitar a oportunidade, o ex-ministro cobrou agilidade, pois os agricultores estão decidindo neste momento o que e quanto plantar, e é preciso oferecer crédito barato e irrestrito ao setor. "Tenho falado a todos os bancos que, se houver investimento, vão ganhar dinheiro com o agronegócio brasileiro", disse.
Rodrigues disse que, fora açúcar e milho, todos os preços agrícolas caíram no País em torno de 17%. Setores com problemas de capital de giro foram os mais afetados, e ele pediu atenção dos parlamentares para encontrar soluções para três setores que foram prejudicados com a crise. Os setores sucro-alcooleiro, de frigoríficos e a cafeicultura tiveram a maior perda em preços, e as indústrias, não tendo a quem repassar o prejuízo, deixaram os produtores sem pagamento.
Exportações
O presidente da comissão que estuda a crise na área do comércio, deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), adiantou pontos do relatório de sua área. Ele disse que a comissão estuda mudanças na estrutura da lei que regula o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ((BNDES)). Segundo o deputado, é preciso criar um ex-bank brasileiro, especializado em financiar exportadores.
Também as análises de defesa comercial devem ser agilizadas. A comissão viu que processos de anti-dumping demoram às vezes um ano e meio, e dessa forma a competição desleal fica impune. Medidas para combater o contrabando também devem ser adotadas. E, além disso, a comissão vai propor educação financeira nas escolas, como forma de criar consumidores mais conscientes.
Especulação
O economista e empresário Roberto Giannetti da Fonseca disse que a crise financeira pode se agravar no Brasil se a taxa de câmbio continuar a subir, afetando a balança comercial e tornando o mercado brasileiro vulnerável a mudanças do dólar no exterior. A solução, além de baixar a taxa de juros básicos brasileiros, a Selic, seria impedir a especulação com títulos brasileiros, cujo fluxo de capitais causa flutuação no preço do dólar.
Segundo Giannetti, que é presidente da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior e dirige a área na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é preciso que o governo comece a taxar o capital especulativo, ou no mínimo estabeleça uma quarentena para que ele fique fixo nos cofres brasileiros. "Se não, o Brasil vai virar um paraíso para especuladores, que emprestam dinheiro em países com taxa de juro zero e investem aqui por mais de 10%", afirmou.
Na mesma linha, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) cobrou maior responsabilidade no mercado financeiro, com a elaboração de novas regras, para evitar a bolha de financiamentos que causou a crise recente. Reportagem - Marcello Larcher e Noéli Nobre
Edição - Regina Céli Assumpção
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)
Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br