Palocci estuda limite para derivativos cambiais
20/05/2009 - 18:40
O relator da comissão especial que avalia os impactos da crise mundial na área de sistema financeiro e mercado, deputado Antonio Palocci (PT-SP), afirmou que estuda mecanismos para reduzir a exposição do mercado aos riscos de derivativos cambiais (contratos de empréstimos nos quais os pagamentos são baseados no comportamento da evolução do dólar). Ele participou de audiência pública do colegiado, que já se encerrou.
Grandes empresas nacionais assumiram dívidas com o sistema bancário na forma de derivativos vinculados ao dólar, apostando na estabilidade ou queda da moeda americana. Com a depreciação acelerada do câmbio no final do ano passado, em razão da crise mundial, tiveram grandes prejuízos. "O problema dos derivativos ultrapassou todos os limites e nós precisamos coibi-lo. O problema é de quem compra e de quem vende. Quem compra não pode assumir um risco que não pode suportar e quem vende não poderia impor obrigações impossíveis de serem cumpridas", afirmou o deputado.
A presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, reconheceu que houve distorções. "Um diretor não pode alienar um imóvel, mas pode contratar derivativos equivalentes ao valor das exportações da empresa em um ano", disse.
Maria Helena recomendou, porém, que a questão seja resolvida no âmbito das próprias empresas. "Eu não acho que seria o caso de se proibir. Além disso, seria difícil calibrar limites aos derivativos, sem promover um engessamento. Essa foi a crise de ontem, não vai acontecer mais. As empresas tomaram um medo [dos derivativos]", afirmou. Ela lembrou que a punição mais efetiva às empresas imprudentes já aconteceu e foi a desvalorização de seus papéis. Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Regina Céli Assumpção
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