Para Executivo, deságio do FCVS é justificável
21/11/2001 - 18:02
Questionado na CPI do Proer sobre os critérios adotados para estipular o ágio para aquisição dos títulos, o chefe do Departamento de Operações Bancárias do Banco Central, Luis Gustavo da Mata Machado, explicou que fez uma estimativa baseada na queda paulatina da taxa de juros no período de resgate até alcançar uma taxa de 12%. Segundo ele, chegou-se a um deságio de cerca de 47%. “Esse estudo adotou critérios que qualquer técnico adotaria”, garantiu.
Na operação de venda do Banco Nacional, o empréstimo concedido pelo Proer para equilibrar os ativos e passivos do banco teve como garantia títulos do Sistema Financeiro da Habitação (FCVS), adquiridos por metade de seu valor de face junto a outros bancos. O deputado Milton Temer (PT-RJ) acredita que os bancos privados que venderam esses títulos foram beneficiados. Na opinião de Temer, o valor foi estipulado com critérios subjetivos.
Milton Temer reclamou também da subjetividade nos critérios adotados na percepção do risco sistêmico. “Ninguém até agora demonstrou cabalmente que estávamos enfrentando uma ameaça real ao sistema. Dizer que a quebra de qualquer banco de grande porte representa uma ameaça ao sistema, é o mesmo que defender a estatização de todo o sistema bancário”, raciocinou.
Mata Machado explicou que o ajuste no sistema de pagamentos e o aprimoramento nos processos de supervisão bancária que estão sendo promovidos pelo Bacen vão reduzir significativamente os riscos de crise no sistema. Segundo ele, o novo sistema deverá ser implementado a partir de abril do ano que vem. “Crise sistêmica é a interrupção da cadeia de pagamentos da economia. Várias empresas estão vinculadas ao sistema financeiro, a crise num banco cria dificuldade na circulação da riqueza. O problema de liquidez é que gera a crise bancária”, afirmou.
Por Cid Queiroz/AM
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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