Confira entrevista com Ciro Nogueira

30/01/2009 - 13:56  

Em entrevista aos veículos de comunicação da Câmara, Ciro falou sobre seus projetos prioritários como presidente, as prioridades administrativas e o processo eleitoral. Confira os principais pontos abordados:

Projetos prioritários
Um dos pontos fundamentais é fortalecer os trabalhos das comissões da Casa, onde realmente as coisas acontecem, as discussões se aprofundam. As propostas já chegam praticamente consolidadas em plenário e são poucas as modificações que lá acontecem. Temos de trazer as discussões das comissões para a sociedade, por meio eletrônico ou de outra forma.

Minha principal proposta é a implantação do orçamento impositivo, e a mudança na nossa relação com Executivo. Os deputados estão "agachados" no que diz respeito à liberação de emendas, muitas vezes vinculada à votação de determinadas matérias. É uma proposta totalmente exequível, basta vontade política da presidência para ser posta me prática.

Outra prioridade é fazer com que o Plenário funcione. Ele não tem sido soberano, pois as matérias são engavetadas pela presidência antes de chegar lá, além de serem atravancadas por medidas provisórias. Não temos tido capacidade de fazer com que o Executivo veja que uma MP deve ter caráter de urgência. A Casa tem de levar à sociedade o seu trabalho, que é legislar. Não temos conseguido mostrar que os deputados não trabalham só no plenário, mas também nas comissões e nos seus estados. Temos condições de fazer com que a sociedade veja o nosso trabalho, trazendo para cá as verdadeiras discussões do País, colocadas também durante as campanhas.

Relação com o Executivo
De total independência. Não vou indicar cargo nenhum pessoalmente. Os partidos têm direito de compor o governo, mas o presidente da Casa não. O presidente Lula terá um aliado que trabalhará pelo País, mas não em troca de nada. Não posso ter uma conversa sobre medidas provisórias na primeira hora e depois sobre cargos. Hoje estamos com nossa capacidade de legislar em cheque. Temos de funcionar com independência.

Relação com o Judiciário
Não concordei com como a Casa se portou em relação ao Judiciário nos últimos dois anos. Tínhamos de ter reagido mais firmemente em algumas questões que o Judiciário avocou para si, no papel de legislar, subtraindo nosso poder. Este é o momento crucial para isso. Nos próximos dois anos esse tipo de coisa não acontecerá se tivermos um presidente independente, com coragem de colocar as matérias para votar. O Judiciário é composto por homens de bem, mas que tem de cumprir seu papel, julgando as matérias. Cabe à Câmara legislar - e é a isso que irei me dedicar nos próximos dois anos.

Eleição
[A campanha foi feita] por telefone, com alguns parlamentares que encontramos aqui e em poucos estados aonde conseguimos ir. Há ainda um grupo grande de parlamentares envolvidos em ajudar.

Apoio de Severino Cavalcanti
É o apoio de um ex-parlamentar, que já não está mais aqui, não está mais fazendo parte dessa discussão, e que eu espero que assim se mantenha. Mas não tenho conhecimento de que ele pede voto.

Relação entre as eleições na Câmara e no Senado
Essa situação foi criada para beneficiar um candidato e agora tornou-se um problema. Fatalmente uma eleição vai influir na outra.

Equilíbrio da disputa
Eu até já ri dessa história [um dos candidatos disse que já tinha cerca de 400 votos]. Quando tivemos um candidato único aqui, que foi o ex-presidente João Paulo (PT-SP), ele teve 430 votos. Se fosse a eleição para a presidência do sindicato dos partidos, já teríamos um vencedor. Mas como é para a Presidência da Câmara, com voto secreto, todos têm chance.

Participação do governo
Até agora esteve à parte e espero que continue assim.

Voto secreto
Acho que o maior aliado é a liberdade de o deputado escolher quem ele acha melhor para gerir a Casa nos próximos dois anos.

Da Reportagem/MS

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