Delegação de deputados brasileiros acompanha eleições nos EUA
03/11/2008 - 16:24
Uma delegação de deputados brasileiros foi autorizada pelo governo norte-americano a acompanhar, como observadora, a disputa entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain nas eleições presidenciais que ocorrem amanhã naquele país.
Os parlamentares brasileiros poderão observar o processo de votação e de apuração dos votos. A própria embaixada dos Estados Unidos no Brasil solicitou aos deputados que organizassem uma delegação para acompanhar as eleições em Washington. O deputado Nilson Mourão, que integra a Comissão de Relações Exteriores, ressalta que "as eleições nos EUA têm influência no mundo inteiro, particularmente agora quando atravessamos uma crise financeira".
Para Mourão, o acompanhamento do processo tem grande importância, na medida em que os parlamentares brasileiros vão entrar em contato com as principais forças políticas que estão no debate. O deputado destacou ainda o fato de Barack Obama ser o primeiro negro que pode chegar à presidência dos Estados Unidos, lembrando que os brasileiros também esperam uma mudança de rumo na política exterior dos norte-americanos, com a adoção de preceitos pacifistas.
Protecionismo
Já o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), um dos integrantes da delegação, acredita que "independentemente da vitória de republicanos (John McCain) ou democratas (Barack Obama), o protecionismo no comércio mundial, especialmente de produtos agrícolas, tende a aumentar". Segundo ele, a crise financeira mundial vai definir o tamanho das barreiras protecionistas no mercado global. "O momento é duplamente importante. Primeiro, pela disputa política entre republicanos e democratas e segundo porque o debate político ocorre em plena crise financeira mundial, a mais grave dos últimos 80 anos", disse Nogueira.
Delegação
Também integram a delegação brasileira o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Marcondes Gadelha (PSB-PB), e os deputados Edson Aparecido (PSDB-SP), Elcione Barbalho (PMDB-PA), Magela (PT-DF) e Vital do Rêgo Fiho (PMDB-PB)
Os parlamentares já chegaram a Washington, e vão se reunir hoje e amanhã com o embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Osmar Chohfi; o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, além de autoridades da Justiça Eleitoral dos Estados Unidos e do Banco Mundial, e com cientistas políticos e historiadores do "Woodrow Wilson Center" e do "Inter-American Dialogue".
Voto delegado
No sistema eleitoral norte-americano, o voto pode ser dado por antecipação. Em alguns estados, os eleitores já podiam votar desde 22 de setembro. Se o eleitor não puder comparecer às urnas, ele pode votar também por correspondência ou por e-mail.
O presidente norte-americano não é eleito por voto direto, como o brasileiro, nem o voto é obrigatório. Os eleitores votam nos candidatos e o partido vencedor ganha o direito de escolher os delegados de cada estado. Esses delegados formam o Colégio Eleitoral, responsável por eleger o presidente. Cada um dos 50 estados norte-americanos tem direito a um número de delegados proporcional ao total de representantes que possui no Congresso Nacional - um delegado para cada deputado e um para cada dois senadores. Por isso, o tamanho e o número de estados em que cada candidato venceu tem mais peso no resultado final da eleição do que o número total de votos conquistados individualmente.
A missão brasileira retorna ao Brasil na quarta-feira (5). Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição – Regina Céli Assumpção
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