Oposição pede pacote e ex-ministro critica sugestão

21/10/2008 - 22:40  

Deputados de oposição cobraram a adoção de medidas mais coordenadas por parte do governo para minimizar os efeitos, no Brasil, da crise financeira internacional. Durante comissão geral sobre o assunto, realizada nesta terça-feira no plenário da Câmara, o líder da Minoria, deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), reivindicou a edição de "um pacote".

Ele acusou a equipe econômica de responder com medidas pontuais para um problema sistêmico devido à interdependência dos laços da economia moderna. "Por que o governo não apresenta pacote para enfrentar de maneira orgânica as ameaças da crise?", questionou. Para ele, o Governo Lula deixou de promover ajustes fundamentais durante a fase de crescimento da economia mundial e perdeu a oportunidade de organizar a economia brasileira.

Austeridade fiscal
Na mesma linha, o deputado Paulo Bornhausen (SC), vice-líder do DEM, considerou muito pontuais as medidas adotadas pelo governo, que acusou de praticar "otimismo de fachada". Ele cobrou mais austeridade do Executivo em relação aos gastos públicos. "Uma mensagem de austeridade fiscal seria importante para a população e os investidores entenderem que a disposição do governo para enfrentar a crise é para valer", sustentou.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, respondeu aos deputados que os atuais números da despesa e da arrecadação dos cofres públicos são muito melhores do que os obtidos quando a oposição estava no poder. Ele disse, por exemplo, que tem havido queda no déficit da previdência: "Em relação aos gastos com pessoal, os valores estão abaixo dos parâmetros anteriores, embora tenhamos concedido reajustes com a reestruturação de carreiras."

Defesa
O deputado Antônio Palocci (PT-SP), que foi ministro da Fazenda no Governo Lula, criticou a sugestão dos colegas e afirmou que o Brasil está em uma situação econômica mais sólida justamente porque "abandonou práticas exóticas para enfrentar seus problemas. Esses pacotes acabaram sempre desorganizando nossa economia", disse.

Palocci atribuiu as condições mais sólidas do Brasil às ações do Governo Lula e de seus antecessores. "Sarney acabou com a conta movimento e criou o Tesouro Nacional; Itamar Franco criou o Real; Fernando Henrique, a Lei de Responsabilidade Fiscal. Cada um, a seu tempo, criando medidas fundamentais", lembrou. "Lula tomou atitudes de extrema responsabilidade. Demonstrou desde o início capacidade de interpretar os problemas do País e colocou todo seu capital político para enfrentar as dificuldades", concluiu o parlamentar.

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Da Reportagem/SR

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