Meirelles: BC direciona recursos para exportação e bancos menores

21/10/2008 - 17:11  

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou aos deputados que o governo está direcionando os recursos disponibilizados para enfrentar a crise financeira para beneficiar os exportadores e os bancos menores. Meirelles explicou, na abertura da comissão geral que discute a crise no sistema financeiro internacional, que o País está sendo favorecido por ter acumulado reservas em dólares, adquiridas quando a moeda norte-americana estava depreciada. Esses recursos estão sendo direcionados para os exportadores brasileiros para compensar a falta de liquidez internacional. Segundo Meirelles, o BC já injetou US$ 22,9 bilhões na economia nacional para dar liquidez ao mercado de câmbio, desde o início da fase mais aguda da crise financeira mundial, com a quebra do banco Lehman Brothers.

No caso do crédito interno para a liquidez dos bancos, o Banco Central adota a estratégia de liberar parte dos depósitos compulsórios - dinheiro que os bancos são obrigados a depositar no BC. "Diferentemente da maioria dos países do mundo, no Brasil os bancos têm reserva de liquidez mandatória, que são os depósitos compulsórios, os quais estão sendo liberados com escala de prioridade para os bancos menores".

Raízes da crise
Meirelles fez um rápido painel sobre as raízes da crise internacional, que teve origem nos aumentos progressivos dos riscos praticados no mercado financeiro dos Estados Unidos, estimulados por longos períodos de estabilidade. O aumento da alavancagem dos riscos foi possível pelo quadro regulatório permissivo dos EUA. A alavancagem levou ao aumento continuado do preço dos imóveis, a taxas de 11,5% ao ano, o que permitiu aos proprietários tomar mais empréstimos, aumentando ainda mais a dívida - "ao contrário do Brasil, que tem supervisão e regulação supervisionada pela autoridade monetária", frisou Meirelles.

Segundo Meirelles, a quebra do banco Lehman Brothers foi o ponto de agravamento da crise porque era uma instituição com grande número de parceiros. O índice do risco de crédito dos bancos aumentou, fazendo com que passassem a pagar muito mais para captar dinheiro. Em conseqüência da crise de crédito e de liquidez, houve a queda continuada de desconfiança do consumidor - vendas do varejo verificaram queda pronunciada.

Gravidade
O presidente do BC fez uma comparação entre crises financeiras anteriores para demonstrar a gravidade da situação atual. Ele chamou atenção para o fato de que as perdas anteriores foram em crises bancárias, enquanto agora, a crise é generalizada para toda a economia.

Segundo Meirelles, os governos de vários países do mundo estão mobilizando US$ 600 bilhões só para capitalização dos bancos (nos EUA, dos US$ 850 bilhões do pacote aprovado, US$ 250 bilhões são para os bancos).

A vantagem para o Brasil, explica Meirelles, é que a alta do dólar está ajudando a diminuir a dívida pública, que é hoje basicamente em reais. Ao mesmo tempo, o BC acumulou reservas em 2008 de US$ 203,9 bilhões. Isso, segundo ele, tem forte efeito também no grau de insegurança dos agentes econômicos, já que a dívida pública sobre o PIB na verdade está diminuindo. Hoje, com a crise, sem dívida em dólar, a alta do dólar é fator de equilíbrio, pois leva à redução da dívida.

Meirelles explicou também os objetivos gerais da Medida Provisória 442/08, que autoriza o Banco Central a fazer empréstimos em moeda estrangeira com garantias.

* Matéria atualizada às 19h22

Reportagem – Cid Queiroz
Edição - Newton Araújo Jr.

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