Proporção de mulheres candidatas permanece estável
03/10/2008 - 08:52
Nas eleições municipais deste ano, embora tenha aumentado a participação feminina no eleitorado, manteve-se praticamente estável a proporção de mulheres na disputa em relação aos dois últimos pleitos. Para as prefeituras, 10,5% das candidaturas são femininas. De acordo com dados levantados pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), em 2004 as mulheres eram 9,5% dos candidatos e, em 2000 eram 7,5%. Na corrida por lugares nas câmaras municipais, as mulheres representam 20,3% dos competidores deste ano. Em 2004, eram 22,1% e, em 2000, 19%.
Em 41 municípios apenas mulheres concorrem à prefeitura, a maioria no Nordeste. A Paraíba aparece em primeiro lugar, com 7 dessas localidades. Entretanto, de acordo com o Cfemea, em nove dos 26 estados não há candidatura feminina para as capitais: Bahia, Maranhão, Acre, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Roraima.
Em 2004, as mulheres ganharam 7,3% das prefeituras e 12,6% das cadeiras nas câmaras municipais. Em 2000, elas ficaram com 5,7% das prefeituras e com 11,6% das vagas de vereador. Essa baixa representação contrasta com a composição do eleitorado. Dos 130,5 milhões de brasileiros inscritos na Justiça Eleitoral, 51,8% são mulheres (67.483.419), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2000, o eleitorado feminino superou o masculino pela primeira vez, e chegou a 50,48% do total.
Capitais
Apesar de as mulheres ainda serem minoria na política, 29 candidatas disputam prefeituras de capitais - em cinco delas, com chances reais de assumir o cargo. Em São Paulo, por exemplo, pesquisa do Datafolha divulgada no dia 18 mostra que Marta Suplicy (PT) está 15 pontos percentuais à frente de Gilberto Kassab (DEM), o segundo colocado.
Porto Alegre também pode ser administrada por uma mulher. A capital gaúcha é a única com mais mulheres que homens na corrida eleitoral: são quatro candidatas contra três homens. Duas delas, as deputadas federais Maria do Rosário (PT) e Manuela D`Ávila (PCdoB), aparecem empatadas em segundo lugar, o que garante que uma vá ao segundo turno. A também deputada Luciana Genro (Psol) e Vera Guasso (PSTU) são as duas outras concorrentes.
Uma capital que muito provavelmente será governada por uma mulher é Natal (RN). Micarla Souza (PV) e a deputada Fátima Bezerra (PT) aparecem em primeiro e em segundo lugares, respectivamente, nas pesquisas. As mulheres também estão nas primeiras colocações em Fortaleza e em Belém.
Cotas
Mais uma vez, nenhum partido cumpriu a determinação legal de reservar pelo menos 30% das candidaturas a mulheres nas eleições proporcionais (no caso, para as câmaras de vereadores). O mesmo estudo do Cfemea mostra que a agremiação mais próxima de atingir esse limite mínimo foi o PCdoB, com 28%, seguido do PSTU, que conta com 23% de candidatas. O PT e o PSDB aparecem empatados com 22% de mulheres em suas listas, e o DEM reservou a elas 21% da vagas.
A deputada Fátima Bezerra defende que a melhor maneira de aumentar a participação das mulheres na política é por meio do uso de listas preordenadas nas campanhas, com a intercalação de candidatos de ambos os sexos. Ela também defende o financiamento público das campanhas. Segundo ela, "as maiores dificuldades que as mulheres enfrentam decorrem da falta de condições e de incentivos dos partidos", pois "o mundo partidário ainda é muito masculino".
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Reportagem - Maria Neves
Edição - João Pitella Junior
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