Diretor: Abin não controlava agente do extinto SNI
10/09/2008 - 17:29
O diretor afastado do Departamento de Contra-Inteligência da Agência Brasileira de Inteligência, Paulo Maurício Fortunato Pinto, afirmou que a Abin não era responsável por tomar providências contra a atuação de Francisco Ambrósio do Nascimento, ex-agente do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), nas investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
Fortunato havia negado, pouco antes, que Ambrósio tenha coordenado na PF escutas telefônicas contra parlamentares, ministros e jornalistas, conforme denúncia da revista IstoÉ.
Segundo ele, o fato de os funcionários da Abin não estarem coordenando as investigações impedia que eles acusassem a ação de Ambrósio, ainda que sua atividade pudesse ser irregular. Dirigindo-se aos parlamentares da CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, ele disse: "Imaginem o servidor em um local de trabalho que não é o seu vendo aquilo. Não caberia à Abin, naquele momento, controlar isso [a atividade de Ambrósio], mas à contra-inteligência da Polícia Federal", disse.
Fim da Abin
A declaração causou indignação entre alguns deputados, que consideraram a atitude leniente. "Se a Abin agiu assim, é a agência brasileira de burrice", definiu Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), chegou a indicar que a CPI poderia sugerir em seu relatório final o fim da Abin por incompetência. Já o deputado Laerte Bessa (PMDB-DF) propôs que a audiência seja reservada, para o diretor da Abin poder "dizer mais coisas que sabe".
Fortunato disse ainda que os equipamentos de varredura comprados pela Abin em 2007, em conjunto com o Exército, não têm condições de fazer escutas telefônicas. Ele citou relatório enviado pelo fabricante à Folha de São Paulo para corroborar a informação. Segundo o diretor, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que primeiro denunciou a possibilidade de os equipamentos também servirem para escutas, foi "mal assessorado sobre o assunto".
O diretor da Abin participa de audiência da CPI. Os parlamentares querem esclarecimentos de funcionários da Abin e do STF sobre a interceptação de uma conversa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Segundo denúncia da revista Veja, a Abin está envolvida no grampo ilegal que captou a conversa.
A audiência é realizada no plenário 2. Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição - Maristela Sant´Ana
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