Lacerda nega ter sofrido pressão de assessor do Planalto

21/08/2008 - 00:46  

O diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, negou à CPI das Escutas ter sido pressionado pelo chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, em relação às investigações contra o banqueiro Daniel Dantas. Lacerda ressaltou que, ao longo de quatro anos no comando da Polícia Federal e depois na Abin, só manteve contatos esporádicos com Carvalho no Palácio do Planalto. "Em nenhum momento ele me ligou para fazer qualquer tipo de pedido."

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Carvalho teria prometido ao advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh que verificaria o andamento de investigações envolvendo Daniel Dantas na Abin e na PF. A conversa entre Carvalho e Greenhalgh teria sido obtida por meio de escuta telefônica.

General
O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) chamou a atenção para a afirmação de Lacerda sobre o contato de Gilberto Carvalho com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência para obter informações sobre a investigação contra Dantas: "Lacerda disse que o secretário-executivo do GSI, general João Roberto Oliveira, foi consultado. Isso não é normal. Se a moda pegar, qualquer advogado criminalista poderá ligar para o chefe de gabinete para saber se o seu cliente está sendo investigado. Então, essa separação tem que ficar muito bem delimitada".

Fruet também quis saber porque um chefe de gabinete teve suas conversas divulgadas e gravadas. "Não seria papel da Abin fazer uma contra-inteligência em busca de grampos?"

Reportagem - José Carlos Oliveira/ Rádio Câmara
Edição - Regina Céli Assumpção

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