Deputado estadual pede CPI sobre venda da Varig
25/06/2008 - 16:21
O deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ) sugeriu há pouco, em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, que a Câmara crie uma CPI para investigar o processo de venda da Varig. Ele presidiu uma CPI sobre o assunto na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas, segundo ele, as investigações não foram adiante porque várias instituições não colaboraram com o trabalho e a mídia não deu a devida atenção para aquela comissão.
Paulo Ramos disse que a venda da Varig foi fruto de uma decisão do governo anterior ao mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a liquidação da empresa, durante o atual governo, segundo o parlamentar, envolveu a participação suspeita da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e de integrantes do governo e do Judiciário do Rio de Janeiro, com interesses financeiros. "Em outras palavras, corrupção", resumiu Paulo Ramos.
Escândalo nacional
O parlamentar fluminense disse ainda que as recentes declarações da ex-diretora da Anac Denise Abreu de que sofreu pressões do governo para agilizar a venda da empresa para quatro sócios brasileiros, vinculados ao empresário chinês Lap Chan, deu ao caso a dimensão de escândalo nacional que já havia sido descoberto pela CPI da Alerj.
Paulo Ramos reclamou que, na época das investigações, em 2006, uma liminar da Justiça fluminense impediu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos quatro sócios que arremataram a Varig. Ele disse também que houve má vontade da Vara de Recuperações Judiciais do Rio em contribuir para as investigações dos deputados estaduais. De acordo com o parlamentar, o próprio administrador judicial da empresa chegou a dizer em depoimento que exigências legais não estavam sendo cumpridas, mas o Judiciário nada fez.
Compradores laranjas
Para Paulo Ramos, ficou evidente na CPI da Alerj que os quatro sócios brasileiros que arremataram a Varig eram "laranjas", já que não eram empresários com porte suficiente para adquirir uma empresa dessa envergadura.
O deputado estranhou também que a Justiça tenha aceitado que esses sócios injetassem dinheiro na Varig antes do resultado da licitação. No entender do deputado, essa é uma evidência de que um novo controlador já havia sido escolhido previamente. Ele defendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico não só dos quatro sócios brasileiros, mas também da ex-diretora da Anac Denise Abreu e do advogado Roberto Teixeira, que, segundo o deputado, foi `pinçado` pelos sócios por ter proximidade com o poder.
Ramos sugeriu que a Câmara investigue também a Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que se recusou a interferir no leilão da Varig, mesmo sabendo que havia interesse estrangeiro por trás da negociação.
A audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias sobre denúncias de violação coletiva de direitos humanos de trabalhadores da Varig, no processo de mudança no controle acionário da empresa, prossegue no plenário 9. Reportagem - Alexandre Pôrto/ Rádio Câmara
Edição - Regina Céli Assumpção
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