Deputado quer acabar com carvão de extrativismo em 8 anos

12/06/2008 - 17:26  

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) defendeu hoje a proibição do uso de carvão vegetal produzido com madeira de florestas nativas em todo o País dentro de oito anos. A proposta, que consta do Projeto de Lei 3003/08, de autoria do deputado, foi apresentada hoje na audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. A reunião foi sugerida pelo próprio parlamentar, em conjunto com os deputados Givaldo Carimbão (PSB-AL) e Jorge Khoury (DEM-BA).

Gabeira também sugeriu que as siderúrgicas instaladas em Mato Grosso do Sul formulem um projeto de ação sustentável para evitar o desmatamento do Pantanal. Ele disse que essas empresas não terão competitividade internacional se não demonstrarem que sua cadeia produtiva é ecologicamente sustentável.

Florestas plantadas
O pesquisador do Centro de Estudos da Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, André Carvalho, disse que 40% do ferro gusa é de origem de carvão vegetal. Para ele, esse insumo deveria ser proveniente de florestas plantadas e não de matas nativas. "Do ponto de vista empresarial, é um bom negócio plantar árvores em áreas degradadas", disse. Ele lembrou que no Mato Grosso do Sul há 50 mil hectares de terras que se encaixam nesse perfil.

A professora da universidade federal do estado, Sônia Hess, observou que 90% do carvão vegetal produzido no País têm como destino as siderúrgicas. A metade desse volume é retirada de matas nativas. "Estamos transformando nosso tesouro em carvão", lamentou.

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Débora Calheiros pediu que o Congresso aprove uma lei de proteção ao Pantanal semelhante à que protege a Mata Atlântica, para evitar a repetição de problemas como o ocorrido no rio Taquari.

Números exagerados
O vice-presidente do Sindicato da Indústria de Produção de Carvão de Mato Grosso do Sul, Sérgio Pollini, afirmou que os números do desmatamento apresentados na audiência são exagerados, porque são calculados a partir do carvão comercializado. Acontece, segundo ele, que parte do carvão é produzida com material lenhoso já existente no Mato Grosso do Sul, resultado da derrubada de matas no início da colonização do estado.

Os empresários do setor, afirma ele, não são contra o manejo sustentado das florestas. "Queremos que a indústria siderúrgica seja forte em nosso estado, mas auto-sustentável, até porque dependemos disso, senão nossa atividade também vai morrer. Não temos floresta para muito tempo mais", reconheceu.

O deputado Gervásio Silva (PSDB-SC) disse que Mato Grosso do Sul tomou uma atitude correta ao decidir flexibilizar a concessão de autorizações para plantio de florestas. Para ele, se essa política tivesse sido adotada antes, hoje "o quadro seria muito diferente". "O pinos e o eucalipto plantados vão conter a degradação das florestas nativas", opinou. "Não podemos banir do País a indústria siderúrgica de base florestal", advertiu o parlamentar.

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Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Francisco Brandão

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