Abaetetuba é reduto do narcotráfico, diz bispo

06/05/2008 - 21:10  

O bispo de Abaetetuba (PA), dom Flávio Giovenale, contou que vem sofrendo ameaças desde que se envolveu no combate ao narcotráfico. A cidade de Abaetetuba, disse dom Giovenale, transformou-se num reduto do narcotráfico, a ponto de ter sido chamada de "Medellin da Amazônia" por um jornal de São Paulo.

O bispo denunciou a falta de estrutura policial da cidade, que, segundo ele, piorou ainda mais depois do episódio da menina que foi colocada em uma cela masculina. A conseqüência, revelou D. Flávio, foi a desativação daquela carceragem, e agora os presos precisam ser enviados ou para Belém ou para uma penitenciária regional, o que tornou mais precária a situação o aparato policial.

Segundo o religioso, a Polícia Militar ocupa uma casa alugada por não ter quartel. Falta gasolina para veículos e lanchas de patrulha. O bispo pediu a construção de um quartel para a PM e de uma nova delegacia. Sugeriu também a instalação na cidade de um posto da Polícia Federal e o aumento de todos os efetivos policiais.

Para dom Giovenale, é preciso agir também na área do desenvolvimento social, e não só no reforço da repressão. O bispo cobrou mais salas de aula, citando estatísticas que mostram a elevação do número de adolescentes que ficam fora da escola por falta de vagas. E pediu ao governo federal que não permita atraso na instalação na cidade de um centro de ensino técnico (Cefet) previsto para começar a funcionar em agosto. "Até agora não foi feito o concurso para contratar os professores", lamentou o bispo.

Ele sugeriu também que os poderes públicos incrementem as parcerias sociais com ONGs e com as várias Igrejas, independente da confissão religiosa de cada uma. "Todas as igrejas são feitas de gente, todas podem dialogar e contribuir, não podemos demonizar nenhuma", afirmou o sacerdote católico.

Apoio da CNBB
O arcebispo de Manaus e vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Luís Soares Vieira, compareceu à audiência para manifestar o apoio da entidade aos bispos e demais pessoas ameaçadas. "Se isso ocorre com os bispos, imaginem o que podem sofrer as pessoas comuns do nosso povo", disse ele. D. Luís Soares Vieira disse tratar-se de uma situação muito grave que precisa ser enfrentada com toda seriedade não só pelos organismos do Estado, mas pelo conjunto da sociedade. "A Amazônia, pela sua reserva de água, pelas suas riquezas naturais, é o futuro do mundo, e precisa de um plano de desenvolvimento global, precisa ser levada a sério, ou vamos perder essa riqueza toda", advertiu.

Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição – Wilson Silveira

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