Documentos da repressão não foram destruídos, diz ONG

17/04/2008 - 12:15  

O conselheiro do Movimento de Justiça e Direitos Humanos Jair Kristchke afirmou que existem documentos das Forças Armadas brasileiras que comprovam a participação de militares brasileiros na repressão aos movimentos oposicionistas dos anos 70, no Cone Sul, muito antes do que até hoje se pensava. Ele participa de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias sobre a Operação Condor, que reprimiu os movimentos oposicionistas nos anos 70. "É mentira quando dizem que os documentos brasileiros sobre a repressão foram queimados. Há uma regra de que informações nunca são destruídas", ressaltou.

Ele mostrou documentos do DOPS do Rio Grande do Sul que supostamente teriam sido queimados. "Os nossos militares continuam os mesmos, não mudaram." Kristchke também relatou episódios de 1989, já no período da redemocratização, que tratam da repressão da polícia brasileira a esquerdistas argentinos. O conselheiro também citou vários casos de argentinos e uruguaios presos no Sul do Brasil. "No Brasil nenhum cabo foi molestado, enquanto na Argentina e Uruguai há até generais presos. Nós temos uma dívida com as futuras gerações. Não vamos brincar de democracia. Uma das exigências da democracia é desvendar esse passado", afirmou.

Ele também considera suspeita a morte do ex-presidente João Goulart, mas não explicou as razões.

Prisão
Durante os debates, a deputada Jusmari Oliveira (PR-BA) relatou a prisão de seu pai na Argentina, acusado de subversão. Emocionada, ela pediu ajuda para esclarecer os fatos relativos a esse episódio, ocorrido nos anos 70.

A audiência ocorre no plenário 9.

Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição - Paulo Cesar Santos

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