Professora sugere registro e curso para radialista

10/04/2008 - 12:22  

A professora de radiojornalismo da Universidade de Brasília (UnB) Nélia Del Bianco afirmou que o registro profissional de radialista, mais do que uma exigência burocrática, é um mecanismo para controlar a entrada de profissionais no mercado. Ela disse que é por esse mecanismo, que requer condições para o exercício da função, que se força a qualificação profissional.

Nélia afirmou que os profissionais da categoria ou têm habilidades inatas, como uma boa voz, ou aprenderam na prática. Por outro lado, ela disse que, na realidade atual, na qual o exercício da profissão será cada vez mais complexo, "não haverá espaço para a improvisação que predominou até hoje". A professora destacou a informatização das emissoras e a implantação do rádio digital como as principais mudanças.

Ela também criticou o fato de que hoje, para obter o registro, baste um atestado genérico. Ela sugeriu que, para obter o atestado, o interessado comprove a participação em cursos de formação, que poderiam ser técnicos ou de curta duração. Em sua opinião, esses cursos poderiam usar recursos do FAT.

Linguagens diferentes
A professora da UnB participa de audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática sobre o PL 1337/03, que proíbe a concessão de registro provisório para o exercício da profissão de radialista. A proposta recebeu substitutivo do relator, deputado Beto Mansur (PP-SP), que, além de prever a medida, amplia as atribuições do radialista, que ficariam autorizados a exercer atividades como a redação de notícias de rádio e televisão.

Nélia, porém, afirmou que os cursos superiores de rádio e TV ou de audiovisual não preparam os profissionais para exercer atividades próprias da profissão de jornalista. Segundo ela, a formação audiovisual é direcionada à linguagem de entretenimento, enquanto o jornalista redige matérias e faz entrevistas. "O processo de produção da notícia e de construção da realidade exige formação diferenciada", explicou.

Ainda de acordo com a professora, o locutor noticiarista (que lê as notícias no ar) tende a desaparecer. "Cada vez mais jornalistas vão redigir e ler as notícias."

A audiência ocorre no plenário 13.

Reportagem - Geórgia Moraes/Rádio Câmara
Edição - Noéli Nobre

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