Expositores divergem sobre o resultado de cotas raciais
26/11/2007 - 11:50
O coordenador nacional do Movimento Negro Socialista, José Carlos Miranda, defendeu a aplicação de cotas sociais em detrimento daquelas reservadas conforme a raça dos beneficiários. Para ele, que participa da comissão geral sobre o Estatuto da Igualdade Racial (PL 6264/05), os exemplos internacionais de cotas raciais criaram ódio racial e aumentou a distância entre ricos e pobres, sejam eles negros ou não.
Para Miranda, "a partir do momento que se coloca a raça como uma linha definidora de direitos e deveres, torna-se questionável a igualdade jurídica dos cidadãos: se a República não conseguiu cumprir esse papel [de garantir a igualdade entre as pessoas], é porque as políticas universalistas nunca foram aplicadas profundamente, de modo a conseguir romper a lógica do capital financeiro internacional".
O advogado Hédio Silva Júnior, por sua vez, acusou as pessoas que criticam as cotas raciais de "má-fé ou ignorância". Ele lembrou outros momentos em que o Brasil adotou políticas afirmativas voltadas a grupos populacionais definidos e considera que o estatuto "chega atrasado à realidade", pois algumas instituições de ensino superior já adotam cotas para alunos negros. "Se as cotas estivessem baixando o nível dos alunos, a mídia já estaria divulgando há muito tempo. O silêncio [da mídia] é o sinal claro que a medida deu certo", concluiu.
A antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro Yvonne Maggie acredita que o estatuto vá "dividir os brasileiros" ao determinar que as pessoas declarem suas raças. "Experiências do passado levaram ao desastre quando o Estado assumiu o direito e o dever de adotar uma identidade como sendo a de um povo inteiro", destacou. "Como legisladores, temos que lutar por igualdade, o estatuto propõe a desigualdade entre a população; somos a população brasileira, a raça vais nos dividir".
Já o jornalista Sionei Ricardo Leão, representante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal, acusou a mídia de ser burguesa e de tratar o assunto com um tom folclórico. "A imprensa tem a lógica de procurar o inusitado e, por isso, procura o estereótipo e nem sempre repercute o debate mais sólido". Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição – Wilson Silveira
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