Política de Hugo Chávez é ponto de discórdia

24/10/2007 - 18:42  

O nome do presidente venezuelano, Hugo Chávez, esteve presente durante todo o debate ocorrido nesta quarta-feira na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Os deputados da oposição alertaram para o perigo de aprovar a adesão da Venezuela ao Mercosul sem aprofundar o debate sobre as normas técnicas contidas no protocolo, e criticaram as recentes posições políticas assumidas por Chávez.

"Não podemos ignorar que temos hoje uma situação complicada na América do Sul, em razão do tensionamento provocado pelo presidente Hugo Chávez", disse o líder do PDSB, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP). Ele citou as afirmações do presidente venezuelano de que, se houver qualquer ameaça ao governo de Evo Morales, na Bolívia, ele faria do país vizinho um "Vietnã de metralhadoras", como forma de reagir a um possível golpe de Estado contra Morales.

Pannunzio lembrou ainda a "intervenção" de Chávez no processo eleitoral da Argentina e as recentes tentativas de "calar" a oposição e a imprensa na Venezuela.

Mediação dos conflitos
Já o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) lembrou que os conflitos e as diferenças ideológicas são próprios das relações entre os estados. "Os organismos internacionais existem para mediar esses conflitos. Se nos prendermos a essas divergências entre o Estado brasileiro e o Estado venezuelano para não aprovarmos o protocolo, estaremos inviabilizando o bloco comercial", disse o deputado.

Para Aldo, as divergências em torno do processo de adesão da Venezuela podem ser explicadas pela distância entre dois brasis, o do Centro-Sul e o do Norte-Nordeste. "Talvez São Paulo não precise dessa integração, mas para o Brasil profundo, para os estados do Norte e do Nordeste, ela é importante", completou.

O líder do DEM, deputado Onyx Lorenzoni (RS), disse que o governo de Chávez "atropela o Estado de Direito e constrói uma corrida armamentista" na América do Sul. "O Mercosul defende que a democracia seja plena. Não podemos abrir mão de princípios por alguns trocados. O princípio do Mercosul é que os países cooperam porque acreditam na democracia", afirmou.

Caráter estratégico
O deputado Henrique Fontana (RS), falando pela liderança do PT, disse que, independentemente do presidente Hugo Chávez, a adesão da Venezuela tem um caráter estratégico para o fortalecimento do Mercosul. Ele lembrou também que a Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual a Venezuela faz parte, possui uma cláusula democrática, que, lembrou, foi usada quando houve uma tentativa de golpe contra o presidente Hugo Chávez, em 2002.

Em relação à polêmica provocada por declarações recentes de Chávez - que criticou a demora do Congresso brasileiro para analisar o pedido, provocando a irritação de muitos parlamentares -, o relator da matéria, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), ressaltou que os deputados e senadores devem priorizar os benefícios da adesão para o bloco econômico, em vez de centralizar as críticas no líder venezuelano. "Essas declarações foram feitas no fim do mês de junho e já foram amplamente debatidas", afirmou, lembrando que elas foram uma das razões para a dificuldade em aprovar o relatório.

Dr. Rosinha destacou ainda que considera as afirmações do presidente venezuelano equivocadas, mas que a adesão da Venezuela ao Mercosul é correta, e é o país que está entrando no bloco, e não Chávez. "O Chávez é provisório. O mandato dele pode durar um ano, dois anos, 20 anos, mas não será eterno. A Venezuela será e o seu povo também", declarou.

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Reportagem - Roberto Seabra e Mônica Montenegro
Edição - Marcos Rossi

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