Conselho decide se adia processo contra Mário de Oliveira

25/09/2007 - 21:04  

A deputada Solange Amaral (DEM-RJ), relatora do processo contra o deputado Mário de Oliveira (PSC-MG), solicitou hoje ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que suspenda o processo até que haja alguma informação relevante do inquérito policial para o esclarecimento dos fatos. A Polícia Federal investiga a denúncia de que Mário de Oliveira teria tramado o assassinato do deputado Carlos Willian (PTC-MG). Mário de Oliveira nega as acusações. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O conselho deverá votar o requerimento de Solange Amaral nesta quiarta-feira, às 14 horas, no plenário 12.

Nesta tarde, três testemunhas arroladas pela defesa foram ouvidas pelo Conselho. Odair da Silva, que é considerado a testemunha-chave, não compareceu. Odair foi preso em Osasco (SP) em 19 de junho e solto em seguida, por determinação da Justiça. Ele é acusado de intermediar o crime a mando de Mário de Oliveira.

Trama
Outra testemunha de defesa, Celso Braz do Nascimento, depôs no Conselho e negou ter feito o contato com Odair para a realização do crime. Nascimento, que disse ser amigo do deputado Mário de Oliveira há 47 anos, disse acreditar em uma trama para prejudicar o deputado e, com isso, desmoralizar a Igreja do Evangelho Quadrangular, da qual Mário de Oliveira é líder nacional.

Celso Braz do Nascimento disse ainda que, durante seu depoimento à polícia de Osasco no dia da prisão de Odair da Silva, um dos policiais teria lhe dito: "Se você ligar para o deputado [Mário de Oliveira] e ele falar conosco, a gente tem condições de abortar essa história aqui mesmo". E "se você não quiser fazer isso, nós vamos mandar essa história para o `Jornal Nacional`". Nascimento disse ter recusado a proposta, e acrescentou que Mário de Oliveira denunciou a suposta tentativa de extorsão na corregedoria da polícia paulista.

Prisão
Os métodos usados pela polícia para prender Odair da Silva no Shopping Tamboré, em Barueri (SP) em 19 de junho, foram por sua vez questionados pelo chefe da segurança do shopping, Bernardino Salvador de Jesus Júnior, que também depôs hoje. Segundo ele, a operação teria sido "mais inteligente" se os policiais tivessem contatado a administração, inclusive para direcionar os equipamentos eletrônicos.

Jesus Júnior garante não ter identificado, na filmagem feita pelo equipamento eletrônico, nenhum movimento que indicasse fuga de alguém do shopping – no caso, o pistoleiro conhecido como "Alemão", que conversava com Odair na praça de alimentação na hora em que os policiais chegaram. Ainda segundo ele, o local estava vazio naquele momento (por volta de 11 horas), fato que não ajudaria numa fuga. A prisão de Odair foi efetuada em uma loja de revistas, de forma discreta, disse ainda.

A proprietária da loja, Madalena Augusta Gonçalves, foi convidada a depor no Conselho, mas recusou o convite.

Motorista
Marco Régis de Moraes, outra testemunha ouvida hoje, é motorista do deputado Mário de Oliveira em Brasília e Belo Horizonte (MG). Segundo o depoimento de Odair no dia de sua prisão, era Marco o contato em Minas para o planejamento do assassinato. Marco negou as acusações, e disse ter visto Odair apenas uma vez, numa convenção da Igreja do Evangelho Quadrangular.

O funcionário do deputado reiterou não ter visto mais Odair da Silva e manteve essa versão mesmo depois que o deputado Dagoberto (PDT-MS) apontou uma possível contradição: ele mora no apartamento de Mário de Oliveira em Brasília, cidade na qual Mário de Oliveira hospedara Odair em várias ocasiões, como ele próprio (Oliveira) admitiu em seu depoimento.

Suspeita
"Todos os depoimentos estão sob suspeita, inclusive os da polícia [de Osasco]", disse Dagoberto ao final da reunião. Para o deputado, o depoimento de Odair da Silva é fundamental para esclarecer os fatos. "Em algum momento a Polícia [Federal] vai ouvi-lo novamente", previu.

Segundo o deputado Dagoberto, o grande desafio do Conselho "é descobrir se de fato houve um plano para matar o deputado Carlos Willian ou se tudo não passa de uma fraude".

O deputado Mário de Oliveira responde a processo por quebra de decoro parlamentar. A representação contra ele foi oferecida pelo PTC, partido de Carlos Willian.

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Da Redação/WS

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